PETROBRÁS TERÁ QUATRO FPSOs EM LIBRA. SÓ NÃO SABE AINDA ONDE VAI CONSTRUÍ-LOS

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 27 de outubro de 2016

A notícia anunciada pela Petrobrás através de seu site de que o Campo de Libra vai ter quatro ao invés de dois FPSOs pode ser uma injeção de ânimo no empresariado brasileiro ou um tiro na água.

Tudo vai depender da decisão que a ANP terá em relação a quebra do conteúdo nacional, flexibilizando  ou suspendendo 100 %, como querem as petroleiras. Se a resposta for sim, quatro navios serão construídos no exterior. Se for não, os quatro navios serão construídos, pelo menos em parte, aqui no Brasil.

Ao contrário do que ocorre nos leilões de áreas fora do pré-sal, nos quais as empresas têm alguma margem para definir índices de conteúdo local, em Libra os percentuais foram definidos em contrato. Todo consórcio sabia das regras.  Mesmo assim o  gerente executivo da Petrobrás para o projeto Libra, Fernando Borges, disse que o conteúdo nacional é  uma ameaça ao desenvolvimento da área, a primeira licitada sob o modelo de partilha da produção no país: “A gente não pode pagar um sobrepreço por conta da falta de competitividade da indústria local”

Mas quem vai descascar esse abacaxi já não será Magda Chambriard, que está deixando a agência já no dia 4 de novembro. A faca vai estar na mão do novo presidente, Décio Oddone, que é muito alinhado com o IBP,  um dos grandes defensores da quebra da política do conteúdo local. Contra a quebra ou favor de uma flexibilização mínima estão três entidades fortes: FIESP, FIRJAN e ABIMAQ. A decisão final será tomada pelo Ministério de Minas e Energia até o final de novembro, acredita-se.

O Campo de Libra terá então todo quatro plataformas. A primeira delas está prevista para entrar em operação a partir de 2020. A ideia da estatal é instalar uma a cada ano. Será o primeiro operado no regime de partilha e tem como sócios a Petrobrás, que é a operadora, ao lado de Total, Shell e as chinesas CNPC e CNOOC.

O gerente executivo Fernando Borges será o responsável pelo campo. Ele diz que:

“Buscamos, em linhas gerais, entrar com um sistema novo a cada ano a partir de 2020. O primeiro sistema terá capacidade de produção de 180 mil barris por dia (bpd). O segundo ainda estamos analisando, porque depende se parte do gás vai ser exportado ou todo reinjetado, então pode ficar entre 120 mil barris por dia (bpd) e 180 mil bpd.  Hoje é mais econômico reinjetar todo o gás para aumentar o fator de recuperação de óleo. Em Libra temos uma razão gás/óleo na faixa de 430 m3 de gás para cada m3 de óleo, que é, na média, quase o dobro do que se tem nas outras áreas do pré-sal em produção hoje. Nesse gás tenho 45% de CO2. Quando eu trato esse gás na plataforma e tiro o gás combustível para geração de energia na planta, me sobra um terço do gás tratado como volume passível de exportação. Então, se eu falo em uma plataforma de 10 milhões de m3 de gás com CO2, teremos até 3 milhões m3/dia para exportar.  No segundo sistema de produção de Libra, estamos estudando se é econômico exportar parte do gás natural e necessariamente temos que reinjetar todo o CO2”.

 

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