NOVA LEI DO PRÉ-SAL PODE ATRAIR MAIS EMPRESAS AMERICANAS PARA O MERCADO DE PETRÓLEO BRASILEIRO

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 28 de outubro de 2016

O Cônsul do Brasil em Houston, Roberto Ardenghy, esteve na feira de petróleo do Riocentro para falar sobre as oportunidades das empresas brasileiras no mercado americano.

Ele fez sua palestra e depois conversou como repórter Daniel Fraiha exemplificando os casos de sucesso que tiveram nos Estados Unidos e mostrou o que as empresas brasileiras interessadas devem fazer para participar do maior e mais competitivo mercado do mundo. Falou também que depois da votação na câmara  da lei do pré-sal, mais empresas americanas ficaram interessadas em vir ou voltar para o mercado brasileiro, porque o Brasil está dando sinais de voltar novamente a ser atração no mundo do petróleo. Veja a entrevista

– Qual foi o avanço que tiveram as empresas no mercado americano desde o trabalho que é feito em Houston ?

– Nos últimos anos, a gente tem identificado nos últimos dois anos,  alguns nichos de oportunidades de empresas brasileiras para o mercado americano.  Por algumas razões. Primeiro: nós temos hoje uma vantagem de câmbio. O câmbio mudou de patamar e a moeda brasileira foi desvalorizada. Portanto, nós ficamos mais competitivos para exportar produtos e serviços para o mercado externo. Segundo, apesar do preço baixo do petróleo, o mercado americano é uma mercado em francoexpansão. Por que ? porque eles estão produzindo muito mais petróleo. Os americanos praticamente duplicaram a sua produção interna de petróleo. Eles produziam 5 milhões de barris dia, a maios ou menos oito, nove anos atrás, hoje em dia eles estão produzindo 11 milhões de barris dia. Eles estão hoje quase independente em termos de necessidade de petróleo. Isso faz com que o setor de óleo e gás dos Estados Unidos tenha uma enorme dinamicidade. O mercado está lá, é um mercado gigantesco, é um mercado também muito competitivo porque a economia americana é toda ela muito eficiente, então não é um mercado para amadores, mas algumas empresas brasileiras estão encontrando algumas alternativas muito interessantes para vender produtos e serviços. E foi isso que apresentei aqui Rio Óleo&Gás em termos de como isto está sendo feito, quais são os casos de sucesso que nós temos.

– Que casos ?

– Nós temos alguns casos, temos casos de empresas que trabalham muito  na gestão de dados, que é o que eles chamam de Datamine. O setor de petróleo está hoje cada vez mais informatizado. Uma das grandes coqueluches deste mercado é que a gente chama de operação remota, quer dizer, é uma pessoa no centro de operações de uma empresa, qualquer empresa,  e ela é capaz de controlar 20, 30 poços. Se estão perfurando, se estão produzindo, em diversos locais dos Estados Unidos. E ele faz isso de maneira remota. Ora, para ele fazer isso de maneira segura e confiável, ele precisa de dados. De dados em tempo real, se não ele não consegue administrar e fazer uma operação segura. Muitas vezes ele pode cometer uma besteira de uma decisão que  não está baseada.. então, antigamente você tinha uma pessoa desta que era obrigada a ver sete painéis diferentes, um de dados meteorológicos, dados de poço, dados de produção, a situação dos tubos, então era uma coisa complexa. Ele tinha que olhar sete painéis, sete monitores e ele tomava a decisão baseada nessas informações estava ali se mexendo. Ora, nós temos um caso de uma empresa brasileira, que ela conseguiu juntar esses dados todos, faz um tratamento desses dados, e traz para o gestor uma tela só. 

– Que empresa é esta?

– Infelizmente eu não posso revelar o nome. Não estou autorizado por eles. É um caso bastante sofisticado, mas temos  outro caso de sucesso de uma coisa bem simples, com alternativas muito boa. Por exemplo, que é uma empresa brasileira que desenvolveu uma espécie de bandagem para você aumentar a vida útil de uma tubulação. Nessas plataformas é muito comum acontecer corrosão e muitas vezes você é obrigado a parar uma seção qualquer para fazer a substituição de um tubo e isso pode velar de 24 a 48 horas. Essa empresa ela veio com uma tecnologia simples, mas  eficiente. Você faz uma bandagem e você ganha uma sobrevida no tubo de dois, três anos, até mais. Sem precisar parar a operação para fazer isso. É uma solução simples, brasileira. São esses casos que eu mostrei aqui.

A gente tem que perder um pouco a modéstia, nós somos um país que  tem uma tecnologia interessante, desenvolvemos produtos tecnológicos interessantes e que  é só saber como você organiza isso para vender no mercado americano. Esse é o pulo do gato. Não é um mercado fácil, a gente tem que ter um material em inglês, tem que ter toda uma estratégia para vender neste mercado.

– Em Houston, durante a OTC, havia muito pessimismo no mercado, hoje as coisas parecem estar reagindo. Como o senhor vê este momento ?

–  Eu acho quer ainda estamos no namoro. Uma situação em que as pessoas ainda estão buscando informações. No dia em que o congresso nacional aprovou , mesmo que de forma mais geral, a lei de regulamentação do pré-sal, eu recebi no consulado em Houston sete ou oito consultas. Por e-mail, por telefone, de empresas que há muitos anos não se manifestavam. Operadoras, empresas de produção de máquinas e equipamentos. E agora ?  como está o Brasil ? O que é que está acontecendo lá ? Qual é o efeito desta nova lei ? Quais as oportunidades de negócios. Então, nós estamos numa fase de pré-namora. Uma fase onde você conhece quer saber o que está acontecendo. Temos divulgado todos os dias estas noticias,  a própria legislação precisa ser confirmada pelo congresso, mas são notícias boas. Um processo de recuperação dessa confiança no investidor e agente faz isso todo dia lá.

– Houve intensificação depois da divulgação dessas notícias ?

– Sim. Algumas dessas empresas decidiram vir aqui para feira. Tiveram dois ou três casos de eu dizer, olha é uma boa oportunidade de você  ver in  loco o que está acontecendo. Pega um avião, vá para o Brasil. É um evento muito grande, então tive alguns casos de empresas que vieram pra cá.  É um sinal que está começando a surgir um interesse. O New York Times da semana passada fez uma matéria sobre reuniões de CEOs de grandes empresas onde eles mostraram lá os locais mais interessantes para produção de petróleo com níveis atuais dos preços e o Brasil era um dos quatro preferenciais. Isso é um sinal de que estamos voltando um pouco a ter a atenção do mundo do petróleo.

 

 

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