Aumenta a tensão pela exploração de petróleo no Mediterrâneo e União Europeia pode intervir

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 24 de setembro de 2020

Foto: Caminhos contrários entre Macron e Erdogan

Os chefes das 27 nações da União Europeia deveriam se reunir amanhã (25) no Conselho Europeu, em Bruxelas, na Bélgica, para votar uma possível punição para Turquia, que continua enviando navios para explorar recursos energéticos submarinos nas águas soberanas da Grécia e de Chipre, ambos membros da UE.

No entanto, a votação foi adiada uma semana devido à quarentena do presidente do conselho, mas para Ancara, o atraso representa apenas um adiamento do inevitável: um potencial divórcio da Europa. O relacionamento conturbado está congelado desde 2018, quando a Turquia iniciou sua diplomacia de guerra no Mediterrâneo Oriental. Naquela época, o conselho votou pelo congelamento das negociações de adesão da Turquia à UE, e suspendeu as obras de modernização da união aduaneira do bloco com o vizinho. Uma votação contra a Turquia na próxima semana pode tornar a separação permanente.

Para sancionar a Turquia, o Conselho Europeu precisará da aprovação unânime de todos os Estados membros da UE, e os votos estão longe de estar garantidos. Agindo na brecha para reunir o apoio da UE para a Grécia e Chipre, no início de setembro, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que a Turquia do presidente Recep Tayyip Erdogan “não era mais um parceiro no Mediterrâneo Oriental e instou a Europa a falar como “um país mais unido e voz clara.”

O principal alvo da exortação de Macron foi a Itália, tradicional concorrente europeu da França no Mediterrâneo e que tem estado entre os mais fortes defensores de relações mais estreitas entre a UE e a Turquia.

Especialistas na política europeia acreditam que com Grécia, Chipre e França defendendo ações enérgicas contra a Turquia, enquanto Itália, Malta e Espanha se opõem, o Mediterrâneo está dividido igualmente. Mas se a Itália mudar para a França, resultando em um encontro de mentes entre os dois maiores Estados mediterrâneos da UE, então é provável que todo o sul da UE se mova a favor de alguma forma de sanções. O ímpeto na UE como um todo seria para uma linha mais dura em relação à Turquia.

A decisão da Itália de ficar do lado da Turquia é parte de um esforço mais amplo para proteger seus próprios interesses energéticos na Líbia e se virar para a bacia do Mediterrâneo. Esse reequilíbrio fez com que as exportações da Itália para os mercados do Mediterrâneo superassem as   exportações para os Estados Unidos e a China. No entanto, apesar dos avanços comerciais da Itália e da proximidade com a costa sul do Mediterrâneo, o desenvolvimento dos mercados do país no Norte da África foi limitado pela influência superdimensionada da França.

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