Preparando-se para o futuro: avanço nas inovações proporciona resultados positivos e o Porto de Santos já tem respostas

FONTE GUIA MARÍTIMO

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Com uma variedade de aplicações em sistemas de carga, transportes e logística de tráfego, automação e segurança, avanços na área de tecnologia nos últimos anos têm ajudado o complexo a melhorar sua eficiência, além de enriquecer todo setor.

Kamila Donato

A busca por produtividade para atingir elevados índices de eficiência está diretamente relacionada aos investimentos em tecnologia? No Porto de Santos, a resposta para essa pergunta é sim: o avanço nas inovações proporciona resultados positivos e deve-se aos próprios profissionais do setor.

Na corrida pela eficiência, os índices de produtividade não são as únicas metas. A redução de custos, a solução de problemas e a otimização de recursos são os elementos que motivam as equipes de tecnologia da informação a criarem ferramentas próprias que beneficiem não só a empresa, como´também os clientes.

Para José Alex Botêlho de Oliva, presidente da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), apesar de enriquecerem todo setor, os avanços na área de tecnologia para o porto, nos últimos anos, têm ajudado a melhorar a eficiência do complexo.

Com uma variedade de aplicações em sistemas de carga, transporte e logística de tráfego, automação e segurança, a implantação do agendamento de caminhões, por exemplo, veio com o objetivo de reduzir as filas e impedir o acesso de caminhões que não agendaram sua entrada no terminal, evitando as filas quilométricas que travam a entrada do complexo. Os terminais portuários, dessa forma, precisam informar ao sistema Portolog — software desenvolvido pela SEP (Secretaria Especial de Portos) –, com sete dias de antecedência, a quantidade de veículos que espera receber. Além disso, as empresas devem solicitar o agendamento de acesso ao porto, informando o tempo mínimo e máximo de acesso ao pátio de triagem da Baixada Santista, onde os caminhões agendados ficam esperando o momento de se deslocar até a região das docas. Essas informações são integradas ao sistema do terminal e fazem a movimentação da carga internamente mais segura, além de mais ágil.

“A implantação e aprimoramento do sistema de agendamento de caminhões, inicialmente através do SGTC (Sistema de Gerenciamento de Tráfego de Caminhões) e, posteriormente, em fase de testes, pelo Portolog, foi estratégica para evitar congestionamentos e proporcionar sincronismo às operações portuárias”, disse, acrescentando ser essencial tudo estar em sintonia para que o porto funcione com eficiência.

Para ele, o uso de sistemas de gestão otimizada por empresas do setor de logística vem se inovando cada vez mais, fator crucial para o setor. “O uso desses sistemas é vital, visto que dão ritmo às operações portuárias e estabelecem níveis de produtividade maiores”.

Embora muito ainda precise ser feito em termos de infraestrutura para que os portos se tornem mais produtivos e competitivos internacionalmente, o Brasil está caminhando neste sentido. O Porto de Roterdã figura como um exemplo de operação coordenada com a tecnologia: completamente automatizado, o complexo holandês é o maior porto da Europa e o 11º do mundo em movimentação de contêineres – os dez primeiros são asiáticos.

Na opinião de Botêlho de Oliva, as novas tecnologias estão sendo implementadas e serão convertidas em ferramentas de melhora do conjunto dos serviços portuários. “Além dos investimentos públicos no porto, o setor privado também está investindo maciçamente na transformação das instalações e no parque de equipamentos dos terminais portuários. Os leilões de áreas portuárias realizados no final do ano passado e os previstos dentro do Programa de Arrendamentos da SEP permitirão incrementar ainda mais esse processo”, explica.

Inovações

Nesse sentido, boa parte do trabalho desenvolvido pela Codesp engloba uma definição e preparação de ações que visam garantir a modernização da gestão portuária no âmbito corporativo e na logística integrada do setor. A elaboração do Plano Mestre, nesse caso, é uma delas.
Segundo Botelho, a Companhia Docas já concluiu a elaboração do seu Plano Mestre, que se encontra na SEP. “A atuação da Codesp é centrada na viabilização de infraestrutura necessária para atender o crescimento na movimentação de cargas e na modernização de sua gestão, que envolveu, inclusive, sua transformação organizacional”.

Segundo ele, a meta da diretoria para este ano é dar continuidade a esse trabalho, investindo na infraestrutura de acesso, tanto terrestre quanto aquaviário, no reforço dos cais e no aprimoramento da gestão, “a fim de estabelecer as condições adequadas para atrair os investimentos privados nos terminais portuários”. A criação da TIC (Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação) veio em busca de uma gestão integrada dos processos e serviços, e a implantação do Portolog foi uma delas: “O Porto de Santos vem se preparando para receber volumes cada vez maiores de cargas sem a ocorrência de congestionamentos. Esse trabalho é contínuo e envolve a SEP, as agências reguladoras de Transportes Aquaviário (Antaq), Terrestre (ANTT), a Codesp, os demais órgãos públicos que atuam no porto, terminais portuários, pátios reguladores, Ecovias, a Polícia Rodoviária Federal, a Companhia de Engenharia de Tráfego, a Polícia Militar, as prefeituras de Santos, Guarujá e Cubatão e governos dos estados envolvidos. Todos atuam juntos para minimizar problemas”, disse o presidente da Codesp.

Ainda em fase de ajustes e melhorias identificadas no processo piloto de implantação realizado com os terminais de granéis sólidos de origem vegetal, o Sistema Portolog, nesta primeira fase – explica Botêlho – será interligado aos leitores de Optical Character Recognition (OCR), já instalados em gates públicos e terminais privados. “A Codesp deve deflagrar as licitações ainda no primeiro semestre de 2016 para contratação do projeto básico e executivo e para implementação da infraestrutura, no sentido de dotar o Porto de Santos, seus acessos e gates públicos, com a instalação de equipamentos de antenas de rádio frequência, Radio-Frequency Identification (RFID), redes e respectivos softwares”.

De acordo com ele, as inovações englobarão ainda o desenvolvimento de software integrador e a construção de dois portais, sendo um na margem de Santos e outro na margem de Guarujá. Vale ressaltar que os Terminais e pátios também instalarão suas antenas para a entrada em operação plena do Portolog. “A expectativa é de que o sistema entre em operação definitiva neste ano. A Codesp, juntamente com a SEP, terminais e associações representativas, está alterando o atual regramento para suportar o Portolog quando esse sistema entrar em operação”, completou.

Dragagens

Sobre os estudos de dragagem do porto, o presidente da Companhia Docas diz que foi assinado um contrato com a USP (Universidade de São Paulo), no último dia 21 de dezembro, para viabilizar os estudos sobre a atual configuração do canal de navegação do Porto de Santos e dragagem de aprofundamento, “visando adequá-lo para receber navios de maior porte sem que haja transtornos à região”.

Com recursos envolvidos que chegam à ordem de R$ 10 milhões somente na fase de realização dos estudos, os trabalhos visam à avaliação da capacidade da atual configuração do canal de acesso, a avaliação do comportamento do canal com 15 metros de profundidade, a possibilidade geométrica para navegação de embarcações com 360 e 400 metros de comprimento, bem como quais as obras de proteção necessárias para evitar processos erosivos e deposição de sedimentos, “otimizar o volume de sedimentos a serem dragados e investigar as restrições que devem ser superadas para uma profundidade de 17 metros, bem como aferir a capacidade máxima do canal em termos de atracações são os principais tópicos a serem abordados no estudo”. O presidente acrescentou ainda que, dentro desta negociação com a USP, foi acordado que um modelo reduzido do estuário de Santos será construído em uma oficina desativada da Codesp. “Serão feitos convênios com todas as outras universidades da Baixada Santista, para que haja aqui um grande laboratório, à disposição da cidade de Santos, como um centro permanente de pesquisas”.

2016

Para 2016, Botêlho aponta vários projetos que visam aumentar os padrões de segurança, sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados, com o objetivo de gerar benefícios sociais, retorno financeiro para seu custeio e investimentos. “Será concluída no início deste ano a 2ª fase do alinhamento do cais de Outeirinhos, desde as instalações da Marinha do Brasil até o T-Grão. Além da possibilidade de os cruzeiros atracarem mais próximo do Terminal de Passageiros, fora da temporada, um novo cais com maior profundidade para operação comercial de cargas amplia a capacidade de movimentação do Porto de Santos, oferecendo uma instalação moderna para atendimento às embarcações da Marinha”, diz.

O presidente aponta ainda outra obra relacionada à estrutura de cais: a execução do projeto de recuperação de 1700 metros de cais entre os armazéns 12A e 23. “Além da recuperação, a estrutura é redimensionada para garantir o aprofundamento do trecho para até 15 metros, permitindo ampliar a produtividade dos embarques de açúcar pelos terminais localizados naquela área. As obras seguem mais concentradas no trecho de 630 metros entre os armazéns 12A e 15, com previsão de conclusão do jet-grouting e de recuperação de 60% nas estacas nessa extensão”.

Dentre as intervenções de reforma e recuperação, ele destaca os serviços executados em píeres, ponte de acesso e tubovias do Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa. Com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2016, e cerca de 75% dos trabalhos já executados, as mudanças permitirão o aprofundamento dos quatro berços do terminal para até 14 metros. “As obras já foram concluídas nos píeres 1 e 2 e seguem nos demais berços. O serviço envolve recuperação estrutural de estacas e laje, além da reforma e ampliação estrutural de dolfins de amarração e atracação”, explicou Botêlho.

Quanto às obras destinadas à melhoria do sistema viário interno do Porto de Santos, o destaque fica para a primeira etapa de remodelação do trecho Alemoa/Saboó. “São 900 metros de extensão, com duas pistas. A grande vantagem dessa intervenção no viário – além de acessos estruturados para a atual carga que os veículos demandam, e modernas instalações de drenagem, iluminação e sinalização – é a implantação de um acesso exclusivo ao trânsito de passagem, sem conflitar com o tráfego de veículos dedicados aos terminais daquela região”.

De acordo com ele, a segregação entre veículos que se destinam àqueles terminais e os que entram e saem do porto, permitirá a retirada de um significativo gargalo ao escoamento de cargas em Santos. “A obra tem previsão de atingir 25% do total executado até o final deste ano”, acrescenta.

Botêlho finaliza dizendo ainda que “diante do cenário econômico nacional e internacional esperado para 2016 e com base nas informações fornecidas pelos terminais portuários, projeta-se para o próximo ano um movimento em torno de 119,6 milhões de toneladas, um crescimento de 0,5% sobre 2015”. Ele diz ainda que as projeções da Codesp levam em conta um cenário internacional favorável à expansão do comércio mundial de bens e serviços, com um crescimento estimado em 4,1%, contra os 3,2% previstos para 2015, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).

 

 

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