Pré-sal blindaria contas externas por 20 anos

FONTE: PORTOS E NAVIOS

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira do MONITOR MERCANTIL, no qual defendem a suspensão do leilão do Campo de Libra, previsto para o próximo dia 21, os economistas Gustavo Galvão e Hélio Silveira, do BNDES, defendem o uso do pré-sal para blindar, por 20 anos, a conta de transações correntes (comércio e serviços), permitindo, assim, que o país ponha em prática um plano estratégico de desenvolvimento.

Partindo de um déficit da ordem de US$ 80 bilhões, projetado para 2014, crescendo a 10% ao ano, eles calculam um total de US$ 4,6 trilhões, em 20 anos: “Seriam US$ 229 bilhões/ano, enquanto a reserva líquida em petróleo cru (após retirada a necessidade de consumo interno, também crescendo a 10%/ano) resulta na média de US$ 235 bilhões”, argumentam.

Galvão e Silveira afirmam que a crise do petróleo, em 1974, obrigou o país a se endividar para importar esse recurso estratégico. Isso ajudou a levar o país à moratória em 1982, derrubando um crescimento de 7% ao ano, média de cinco décadas, para a média de 2,7% dos últimos 30 anos.

“Se o país tivesse petróleo, isto não aconteceria”, defendem, sublinhando a importância de o Estado controlar o ritmo da exploração. “Tal desempenho contrasta com o da China, que adotou políticas soberanas próprias, protegeu sua indústria, manteve rígidas regras para aceitação do capital externo, contrariando as recomendações ultraliberais conhecidas como Consenso de Washington”.

Já o Brasil, que entre 2004 e 2008 se beneficiara do boom dos preços das matérias-primas e alimentos, não aproveitou o período de superávit para mudar as regras do jogo e praticar políticas fiscais e cambiais soberanas.

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