Ponto final – O PT não precisa de oposição

FONTE: BRASIL ECONÔMICO

Octávio Costa (ocosta@brasileconomico.com.br)

Ao falar ontem em seu programa semanal de rádio, a presidente Dilma Rousseff voltou a defender o leilão do Campo de Libra, realizado na segunda-feira passada. Afirmou que o regime de partilha do pré-sal é um “verdadeiro passaporte para o futuro” e representará para o país mais investimento, tecnologia, emprego e renda.

Ela também deu destaque a exigência de conteúdo nacional na produção, lembrando que o governo exigirá que 60% dos equipamentos e serviços sejam fabricados no Brasil.

Tudo isso já tinha sido dito por Dilma em rede de TV logo após a licitação vencida pelo consórcio formado por Petrobras, Shell, Total e as chinesas CNPC e CNOOC. Mas, diante das críticas ao modelo de exploração, a presidente decidiu voltar a carga na conversa com seus ouvintes.

Dilma Rousseff passou ao largo dos ataques da oposição. Como se sabe, Aécio Neves e outros tucanos criticaram o zelo protecionista que teria afastado o interesse das grandes petroleiras, como Exxon e Chevron. Arguiram também a criação da estatal PPSA, para supervisionar a extração do pré-sal. O governo, diz a oposição, pecou pelo excesso de dirigismo, movido pela preocupação de não repetir as privatizações da Era FHC. Por causa das regras rígidas, somente um consórcio apresentou oferta e assim mesmo pelo preço base. Comentou-se até que nas próximas rodadas as condições seriam abrandadas para atrair concorrentes. Mas, em sua fala, Dilma não perdeu tempo com o PSDB. Preferiu falar aos que são contra a participação estrangeira no pré-sal. Ou seja, mirou na militância do seu próprio partido.

O PT conquistou o poder há 11 anos e se prepara para permanecer no Planalto pelo menos até 2018, no caso de novo mandato de Dilma. Naturalmente, boa parte de seus dirigentes abandonou o discurso radical do passado e assumiu uma postura realista, de acordo com o status atual. Nem todo o partido, porém, aderiu ao pragmatismo. Continuam a atuar dentro do PT alguns grupos xiitas, que parecem não acreditar que o Muro de Berlim caiu.

Para eles, o PT se “aburguesou” e trai suas origens ao se unir ao PMDB, de Renan Calheiros e José Sarney. Os principistas lamentam a política de alianças que garante a governabilidade e chamam de “pelego” o presidente da legenda, Rui Falcão, candidato à releição na consulta direta marcada para 10 de novembro. Ex-preso político e fundador da legenda, Falcão não esconde o espanto: “Às vezes dá impressão de que somos oposição ao nosso governo”, lamentou, em debate com os demais candidatos, em Brasília.

Favorito, Rui Falcão foi vaiado pela claque dos adversários. Mas sobrou também para a presidente Dilma. No auditório tomado de cartazes contra o leilão de Libra, o deputado Paulo Teixeira, do grupo “Mensagem ao Partido”, afirmou que o PT está sendo dissolvido pelas alianças. “O vice-presidente da República é um sabotador e agiu contra o plebiscito da reforma política”, reforçou Markus Sokol, candidato de “O Trabalho”. “Dilma diz que não foi privatização. Não foi? Chamaram a Shell, a Total e as estatais chinesas para morder o nosso petróleo. É um processo de pilhagem”, acusou Serge Goulart, candidato da “Esquerda Marxista”. Rui Falcão tem razão. Com esses companheiros, o PT não precisa de oposição. Será que o “Café com a presidenta” de ontem conseguiu acalmar os xiitas do partido?

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