Petrobras cancela uma licitação de US$ 500 milhões

FONTE: CONTEUDO CLIPPING MP

O Globo – 29/10/2013

Gasoduto liga o pré-sal de Libra ao Comperj. Projeto será modificado para baixar custo.

O pré-sal, que ganhou novo capítulo na semana passada, com o leilão da área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, já enfrenta seu primeiro grande desafio. É que a Petrobras cancelou o processo de licitação da chamada Rota 3, gasoduto que vai escoar o gás produzido nos campos do pré-sal — cujo projeto inclui o gás a ser produzido em Libra, com potencial de 120 bilhões de metros cúbicos. Prevista inicialmente para ocorrer há um mês, a licitação deve ficar para janeiro, na nova projeção da estatal. Do outro lado, os fornecedores vão além. Para eles, o processo licitatório só ocorrerá em 2015.

A Rota 3 é o maior gasoduto planejado pela Petrobras para o pré-sal de Santos. O projeto da estatal contempla ao todo três gasodutos. Segundo estimativas do mercado, a Rota 3 iria consumir 150 mil toneladas de tubos de aço, em uma extensão de cerca de 300 quilômetros, e tem um investimento aproximado de US$ 500 milhões, números que a estatal não comenta. A previsão da Petrobras indica que a Rota 3 inicie suas operações em meados de 2016, permitindo o escoamento de até 18 milhões de metros cúbicos diários de gás para Maricá, no Rio de Janeiro. Ontem, o diretor de Exploração & Produção da estatal, José Formigli, confirmou que o gasoduto deve entrar em operação em 2016.

Segundo José Adolfo Siqueira, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), o fato de a Petrobras ter cancelado a licitação da Rota 3 desestimula a indústria, que ficou sem uma previsibilidade para continuar investindo.

— Tem empresa que está com a fábrica parada. Investiram de olho nesse projeto. Não se pode ter uma interrupção dessas — disse Siqueira, lembrando que o setor petróleo responde por entre 15% e 20% da produção de tubos de aço no Brasil, que soma entre 2,5 milhões e 2,8 milhões de toneladas de tubos por ano.

“PREÇOS EXCESSIVOS”

Segundo a Petrobras, a licitação “foi cancelada devido aos preços considerados excessivos” Agora, disse a companhia, em nota, será feita uma simplificação no escopo do projeto com o objetivo de reduzir os preços. Em abril deste ano, os executivos da Petrobras disseram que

seriam construídas instalações na praia de Jaco-né, em Maricá, que receberia esse gás do pré-sal. Depois, o gás seria entregue ao Comperj, o polo petroquímico em Itabo-raí, cuja entrada em operação foi adiada de 2015 para 2016.

— A Petrobras diz que os preços apresentados foram altos. Mas isso tudo refle-
te o valor do mercado. É o maior gasoduto que vai escoar o gás do pré-sal. É muito importante. Se ela quer um valor menor, tem que rever o projeto. Por isso, acho muito difícil sair algo em janeiro — disse o presidente de uma empresa do setor.

Hoje, já está em operação o primeiro gasoduto, denominado Rota 1, que liga o campo de Lula e a plataforma de Mexilhão, permitindo o escoamento de até dez milhões de metros cúbicos diários de gás para Caraguatatuba, em São Paulo. O segundo gasoduto, Rota 2, em implantação, vai iniciar a operação em meados de 2014, quando possibilitará o escoamento de até 16 milhões de metros cúbicos diários de gás para Cabiúnas, no Rio de Janeiro, (Bruno Rosa)

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