Para Graça, parceria com Eike 'não é ajuda'

FONTE: ESTADAO.COM.BR

Petrobrás admite usar porto do empresário Eike Batista para receber petróleo da Bacia de Campos e para construir navios em estaleiro

SERGIO TORRES , SABRINA VALLE / RIO – O Estado de S.Paulo

Pelo menos duas atividades do grupo X na área do superporto do Açu (no litoral norte do Estado do Rio) estão na mira da Petrobrás, recrutada pelo governo federal para ajudar o empresário Eike Batista, que está em dificuldades financeiras. Uma delas é o uso do píer para o recebimento de cargas de petróleo extraído da vizinha Bacia de Campos. A outra é a contratação do estaleiro, ainda em construção, para fabricar embarcações e sondas petrolíferas.

A possibilidade de utilização do porto do grupo empresarial controlado por Eike por navios petroleiros está em estudo pela Petrobrás, confirmou ontem no Rio a presidente da estatal, Graça Foster. A executiva não admitiu que o emprego do Porto do Açu pela companhia represente um socorro governamental ao grupo X.

“Não se trata, definitivamente, de ajuda. É uma atividade que já vem acontecendo há alguns meses, de avaliação desse aproveitamento. Daquilo que a Petrobrás tem e daquilo que os outros têm. A Petrobrás não pode fazer tudo, não pode construir tudo”, disse Graça, confirmando, em visita à Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o noticiário dos últimos dias de que está sendo analisada a participação da petroleira no complexo industrial que está sendo construído por Eike.

A petroleira OGX teve ontem a nota de crédito rebaixada pela agência de classificação de risco Moody’s (a Standard & Poor’s já havia feito o mesmo). Na Bolsa, a possível ajuda do governo fez as ações da LLX subirem 6,74%. A OGX, porém, voltou a cair: desta vez, 1,79%.

Medidas. De acordo com Graça, o exame da viabilidade da parceria com Eike no chamado superporto integra um conjunto de medidas que podem resultar em contratos variados com empresas de toda a cadeia de óleo e gás. “É uma mudança na forma com que a Petrobrás vinha trabalhando (…) Utilizarmos da infraestrutura de outros e pagar uma tarifa por isso. O grupo X é um dos grupos que estamos avaliando. Tanto para projetos a serem atendidos no médio prazo quanto para projetos a serem atendidos no longo prazo”, revelou a presidente da estatal.

O objetivo da Petrobrás, ainda na explicação de Graça, é diminuir os investimentos em determinados setores da atividade da companhia. Em setembro do ano passado, a estatal criou o Infralog, programa que tem como meta “a otimização da infraestrutura logística que existe dentro do sistema Petrobrás, buscando o máximo de sinergia para evitar capacidade ociosa de um lado e a falta de capacidade, de outro”, disse ela.

Capital investido. As obras do Porto do Açu já custaram R$ 3,5 bilhões a Eike, entre o início da construção, em 2007, e dezembro do ano passado, conforme comunicado recente da LLX, empresa de logística do grupo controlado pela holding EBX.

Outra empresa do grupo, a OSX, é a responsável pela implantação da Unidade de Construção Naval do Açu, nome oficial do estaleiro que está sendo construído, com previsão de entrada em funcionamento parcial ainda este ano.

A fabricação de barcos e de sondas para a Petrobrás é uma atividade presumível para o estaleiro, que nas propagandas do grupo X é apontado como “o maior da América Latina”.

A Petrobrás está na base de clientes da OSX desde o ano passado, com a contratação do estaleiro pela estatal para a construção de dois módulos para plataformas destinadas ao pré-sal da Bacia de Santos (litoral de São Paulo).

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