LISTAS DE REPASSES APREENDIDAS NA ODEBRECHT TÊM CITAÇÕES A 200 POLÍTICOS, COM DIVERSOS APELIDOS CURIOSOS

FONTE PETRONOTÍCIAS

Presidente do Senado, Renan Calheiros fala com a imprensa sobre a pauta de votações da Casa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Presidente do Senado, Renan Calheiros fala com a imprensa sobre a pauta de votações da Casa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Boa parte dos políticos brasileiros levantou nesta quarta (23) do mesmo jeito que deitou na noite de terça (22), com os olhos totalmente arregalados, sem nenhuma hora de sono.

Nos rostos, a preocupação e a lividez diante das últimas revelações feitas pela Operação Lava Jato, como a lista de apelidos e valores repassados a deputados, senadores e membros do poder executivo, constando nos documentos apreendidos na “divisão da propina” descoberta dentro da Odebrecht.

Apesar do alto grau de seriedade do tema, que levou a empreiteira a decidir divulgar oficialmente que aderiu à ideia de fechar delação premiada “definitiva”, os codinomes atribuídos nos arquivos já viraram motivo de piadas entre muitos parlamentares – principalmente os que não estão citados –, e já estão ganhando as redes sociais. Os documentos estavam em posse de Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, e foram apreendidos na 23ª fase da operação Lava Jato, batizada de “Acarajé”, em fevereiro. Após a divulgação da lista, o juiz federal Sérgio Moro voltou a decretar sigilo sob os documentos, por contar com nomes dotados de foro privilegiado.

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A mesma criatividade que os executivos envolvidos em esquemas de corrupção tinham para aprimorar as formas de desviar recursos e sistematizar os pagamentos de propinas, parece que também tinham para dar apelidos aos parlamentares e membros do poder executivo, num total de 200 políticos e 18 partidos citados, conforme indicam documentos apreendidos com o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Júnior, como revelaram o portal Uol e o Estadão. Apesar de haver muitos valores que não batem com os números declarados ao TSE pelas campanhas eleitorais dos citados, também devem estar incluídos os valores repassados oficialmente, já que há valores equivalentes aos declarados, o que faz com que não se possa atribuir automaticamente os números a recursos de Caixa 2.

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De acordo com os documentos apreendidos pela Polícia Federal, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por exemplo, era chamado de “Caranguejo”, enquanto o presidente do Senado, Renan Calheiros (foto), era tratado como “Atleta”. Há menções ainda ao ex-presidente José Sarney, chamado de “Escritor”, ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, apelidado de “Nervosinho”, e ao ex-governador do Rio Sergio Cabral, tratado de “Próximus”.

Dentre os apelidos há ainda termos como “Grego” (referente a Jorge Picciani), “Viagra” (referente a Jarbas Vasconcelos Filho), “Comuna” (referente a Daniel Almeida), “Avião” (referente a Manuela D’Ávila), “Bruto” (referente a Raul Jungmann), “Tuca” (referente a Artur Maia), “Colorido”, (referente a Fabio Branco), “Roberval” (referente a Mário Kertesz), “Candomblé” (referente a Edvaldo Brito), “Goleiro” (referente a Paulo Magalhães) e Rio (referente a Marcelo Nilo), assim como uma série de outros codinomes não especificados nas planilhas, mas já em investigação por parte da Polícia Federal, como “Fofão”, “Bobão”, “Duvidoso”, “Las Vegas”, “Telefonia”, “Abelha”, Chapa”, “Festança”, “Turquesa”, “Grisalho”, “Crente”, “Novo canário”, “Jacaré”, entre outros.

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Um deles, chamado de “Mineirinho”, está tomando uma atenção maior dos investigadores, pela grande quantidade de recursos recebidos no final de 2014. Em menos de três meses, entre o dia 7 de outubro e 23 de dezembro daquele ano, logo ao fim e nas semanas seguintes às eleições presidenciais, ele recebeu um total de R$ 15 milhões, conforme indicado em uma das planilhas.

Agora resta saber quais vão ser os passos seguintes da Operação Lava Jato para desvendar todos os personagens desse enorme emaranhado de apelidos, desvios e somas multimilionárias que pairam sobre quase toda a política nacional.

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