INDÚSTRIA SE ANIMA COM EXPECTATIVA DE NOVO LEILÃO, MAS MUDANÇAS NO PRÉ-SAL AINDA ENFRENTAM RESISTÊNCIA NA CÂMARA

FONTE PETRONOTÍCIAS

Eduardo

As mudanças nas regras do pré-sal podem trazer novos ares importantes para a indústria de petróleo brasileira e as previsões começam a surgir de vários lados.

A Firjan, por exemplo, estima que essa abertura para novos operadores poderá atrair até US$ 420 bilhões de novos investimentos até 2030, o que seria uma propulsão e tanto para o país, que se encontra sem grandes perspectivas no cenário econômico, fortemente afetado pela crise.

Outra expectativa que pode se tornar realidade com a alteração das leis é a organização de um novo leilão de áreas do pré-sal ainda em 2017, de forma a fomentar novas injeções de capital no mercado brasileiro e criar novas oportunidades de negócios para a indústria local.

A ANP, que fica responsável pela realização dos certames, já tem algumas áreas relevantes mapeadas na província petrolífera do pré-sal, e poderia dar novo trato a elas caso o governo dê o sinal verde para o segundo leilão da área. O primeiro ocorreu em 2013, quando foi arrematado o campo de Libra, em consórcio liderado pela Petrobrás (40%), junto com Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).

Um problema no horizonte, no entanto, é a resistência que começa a surgir na Câmara, já que o projeto de lei ainda precisa ser votado pelos deputados, antes de ir à sanção presidencial. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (foto), já se manifestou de forma contrária às mudanças, dizendo que prefere o projeto criado pelo deputado Mendonça Filho, do DEM. A proposta apresentada na Câmara também tiraria a obrigatoriedade de operação única por parte da Petrobrás, assim como sua participação mínima de 30% nos blocos, mas seria ainda mais radical, já que prevê acabar com o regime de partilha e determina a volta do sistema de concessões.

Depois de um acordo entre o governo e a oposição para a aprovação do projeto de lei criado pelo senador José Serra, alterado por Romero Jucá, com concessões dos dois lados, dificilmente a proposta citada por Cunha seria aprovada no plenário da Câmara rapidamente. Enquanto isso, apesar de o Palácio do Planalto ter sido favorável à aprovação da última versão do projeto, lideranças do próprio PT, como o presidente do partido Rui Falcão e o senador Lindbergh Farias, foram contra as mudanças. O líder do PT na Câmara, José Guimarães, é outro que não se mostrou muito interessado em ver a matéria ser votada rapidamente, dizendo que não precisaria de urgência, já que levou muito tempo no Senado.

O fato é que, enquanto a indústria se anima com a notícia e já faz planos para aproveitar as oportunidades geradas com as mudanças, a definição ainda tem um longo caminho pela frente, em meio à guerra política que impera em Brasília.

Os comentários estão encerrados.

AllEscort