Indice reprova a exploração dos oceanos

FONTE: JORNAL DA CIÊNCIA

Pesca predatória afeta a alimentação de até 1 bilhão de pessoas

A Conservação Internacional (CI) divulgou esta semana a nova versão do Índice de Saúde do Oceano, um instrumento que compara anualmente como países e territórios usam seu litoral para turismo, pesca e provisão de alimentos, entre outros fatores. Em uma escala de 0 a 100, a média global foi 65. O Brasil ficou um ponto acima e conquistou a 83ª posição do ranking mundial.

Diretor-executivo da CI no Brasil, André Guimarães ressalta que o país não deve comemorar o seu resultado.

– O desempenho global foi decepcionante, então precisamos nos incomodar com nossa nota – avalia. – Temos uma responsabilidade brutal por causa do tamanho de nossa costa e sua importância no Atlântico Sul. Estudamos muito pouco o nosso litoral, à exceção das áreas exploradas pelos poços de petróleo. Exercemos uma pesca predatória, permitimos a ação de navios estrangeiros em nossa Zona Econômica Exclusiva e não pensamos o mar como um bioma que pode oferecer tantos recursos à população.

Territórios remotos da Oceania tiveram as melhores notas. A primeira posição no ranking mundial é das ilhas australianas Heard e McDonald. Entre os países desenvolvidos, muitos tiveram baixa performance. A China ficou na 162ª posição; a Índia, em 159º; a Coreia do Sul, em 116º.

Segundo Guimarães, os países asiáticos pecam pela exploração insustentável de recursos pesqueiros e minerais no subsolo marinho.

Na Europa, por sua vez, os oceanos são prejudicados pelo impacto do turismo, da pesca e da grande concentração populacional na costa.

– O turismo e o transporte marítimo exigem alterações nos ambientes costeiros, seja para a construção de áreas de lazer ou para os portos – lembra. – Os navios ainda têm o problema da água de lastro, usada para dar estabilidade às embarcações mas que transfere espécies de seu ambiente original para outras regiões e, assim, desequilibra o ecossistema.

O ranking considerou dez quesitos, como a biodiversidade, a economia costeira e o armazenamento de carbono. O mais importante foi a provisão de alimentos, que inclui pesca e maricultura. Neste índice, a comunidade internacional atingiu apenas 33 pontos.

– Mais de um bilhão de pessoas dependem exclusivamente de proteínas animais que vêm do mar. Se não houver mais este recurso, os registros de fome aumentarão em muitas regiões do planeta – alerta Guimarães. – Muitos peixes são retirados do mar sem chegar à idade reprodutiva, ou seja, o “estoque” marinho não é renovado.

A proteção costeira, outro objetivo avaliado, também teve uma nota considerada baixa: 69 pontos. Este índice corresponde à preservação de habitats costeiros, como os manguezais e recifes de coral, que protegem o litoral de tempestades e enchentes.

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