Futuro da HRT depende de parceiros

FONTE: VALOR

Por Marta Nogueira | Do Rio

A participação da petroleira brasileira HRT, nas próximas rodadas de licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás, vai depender dos executivos conseguirem atrair parceiros para ajudar a financiar os projetos de petróleo e gás para os ativos no Brasil e na África. Márcio Mello, diretor-presidente da empresa, disse que, se tiver sucesso na atração de investidores, a empresa poderá, “talvez, participar ativamente” das próximas rodadas.

Para este ano, estão previstas três rodadas de licitações. A primeira será a 11ª Rodada, em maio. As outras duas, previstas para o fim do ano, são a 1ª Rodada do pré-sal e uma para leiloar blocos com vocação para gás.

“Não quero hoje comprometer o orçamento que nós temos para Namíbia e Solimões para outros bid rounds [rodadas de licitação]”, disse Mello, em teleconferência com analistas sobre os resultados da HRT no quarto trimestre do ano passado.

A empresa colocou em curso um plano de desinvestimento, que inclui a intenção de vender ainda 26% de todas as Licenças Exploratórias de Petróleo (PELs), na Namíbia. A empresa anunciou em novembro a venda de 14% de três PELs na Namíbia para a Galp Energia, sua única parceira na região até agora. “Vemos a participação de 14% como insuficiente para compartilhar os custos e riscos associados a esse plano”, afirmou relatório do Banco Espírito Santo Investment (BES).

A HRT fechou 2012 com posição de caixa de R$ 1,05 bilhão, sendo R$ 143 milhões com depósitos em garantia. A empresa espera empenhar, este ano, somando despesas operacionais e investimentos, R$ 714 milhões. No pior cenário, a empresa prevê posição de caixa de R$ 450 milhões no fim de 2013.

Incertezas quanto a realização dos objetivos traçados para 2013, considerados por analistas como essenciais para o desenvolvimento da empresa, causaram a queda das ações da petroleira ontem, que iniciaram o dia caindo e acentuaram a queda após a teleconferência. As ações da HRT caíram 5,01%, para R$ 3,6. No ano até ontem, acumula queda de 23,89%. Entretanto, analistas afirmaram que os resultados vieram em linha com o esperado.

“Reiteramos nossa visão de que 2013 será o ano-chave para a HRT, com uma série de eventos que devem determinar o futuro da empresa”, diz relatório do Bradesco, publicado ontem. Márcio Mello reiterou sua crença na empresa, ainda pré-operacional, e destacou que o foco em 2013 será encontrar petróleo.

Dentre as promessas para 2013, também está a definição da estratégia para a monetização do gás encontrado na Bacia do Solimões, dentro da Floresta Amazônica, em elaboração pela HRT, Petrobras e TNK -Brasil. Um plano deve ser anunciado em meados deste ano.

Outra questão aguardada pelos analistas é o início da perfuração de poços exploratórios na Namíbia. O primeiro poço deve ser perfurado dentro de duas semanas. A sonda semi-submersível Transocean Marianas já chegou à Baia de Walvis, na África, e está passando por inspeções e manutenções obrigatórias. Três poços serão perfurados na África dentro de um prazo de 185 dias.

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