Fracassa negociação para injeção de dinheiro na petroleira de Eike Batista

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

A negociação para que os credores da OGX injetassem dinheiro novo na empresa fracassou. Sem essa alternativa, o único caminho que resta para a petroleira do empresário Eike Batista é a recuperação judicial, o que deve ocorrer até o dia 3 de novembro.

Esse é o prazo para que a empresa seja declarada oficialmente inadimplente, já que deu um calote de US$ 45 milhões nos juros das dívidas dos seus títulos no exterior e tinha 30 dias para negociar com os credores. A Folha já vem noticiando que a recuperação judicial deve ocorrer em breve, porque a expectativa sobre um acordo com os credores era pequena.

As conversas com os “bondholders”, que detém US$ 3,6 bilhões em títulos da OGX, não prosperaram durante as reuniões dessa semana no Rio. A administração da empresa, liderada pela consultoria Angra Partners, tentava convencê-los a colocar pouco menos de US$ 100 milhões na empresa e trocar sua dívida por ações.

Os credores não acreditam que esse dinheiro é suficiente. As sucessivas mudanças nas propostas da OGX, que começou pedindo US$ 500 milhões, e as trocas de negociadores minaram a confiança.

Um dos nós mais importantes foi o tamanho da dívida da OGX com a OSX. Os executivos do estaleiro estimam o valor em US$ 1 bilhão -os “bondholders” não concordam. Como a dívida seria trocada por ações e Eike é o principal acionista da OSX, é esse número que vai definir a fatia que sobra para o empresário.

A OGX deve voltar a conversar com os “bondholders”, mas provavelmente já em recuperação judicial. Não há data marcada.

Os executivos de Eike seguem em paralelo tentando angariar recursos para que a OGX consiga colocar o campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos, para produzir petróleo, obtendo alguma receita para pagar as dívidas.

Neste domingo (27), negociam com a Eneva (ex-MPX) a compra dos campos da OGX no Maranhão. No início da próxima semana, vão a Nova York para tentar obter um financiamento com firmas especializadas em empresas em dificuldades.

Mas qualquer dinheiro só deve entrar depois da recuperação judicial, porque a OGX tem medo que os “bonsholders” peçam o arresto desses recursos. Em recuperação judicial, estariam protegidos. Segundo fontes ouvidas pela Folha, a administração acredita que vai conseguir que a Justiça aprove a recuperação mesmo com pouco dinheiro em caixa para evitar demissões e manter a OGX funcionando.

Procurada, a OGX não quis se pronunciar.

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