Exportações brasileiras para os EUA recuam, mas China compra mais

FONTE: GOIAS.NET –  O Globo

Estados Unidos e China, os maiores parceiros comerciais do Brasil, agem de forma oposta na balança comercial brasileira. Em agosto de 2013, o intercâmbio entre Brasil e EUA chegou ao seu pior momento. O déficit acumulado com aquele país em 12 meses atingiu US$ 10,6 bilhões, recorde histórico para o período. Na mesma base de comparação, os chineses garantiram um dos mais expressivos superávits a favor do lado brasileiro, de US$ 8,2 bilhões.

De janeiro a agosto deste ano, o superávit de US$ 7,462 bilhões com a China evitou um déficit acumulado ainda maior do que os US$ 3,764 bilhões registrados na balança comercial. Os EUA, por sua vez, estão entre os principais responsáveis pelo saldo negativo do Brasil. O comércio bilateral saiu de um superávit de US$ 2,807 bilhões nos oito primeiros meses de 2012 para um déficit de US$ 7,765 bilhões em 2013.

A última vez em que o Brasil registrou superávit com os EUA foi em 2008, no valor de US$ 2,8 bilhões. A partir de então, passaram a ser registrados déficits anuais consecutivos. No caso da China, se for levado em conta que, em 2008, havia um déficit de US$ 3,5 bilhões, de lá para cá houve um esforço superior a US$ 10 bilhões.

Compras de petróleo dos EUA diminuem

Segundo o presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA (Amcham), Gabriel Rico, nem o aumento da cotação do dólar em relação ao real, nem a ligeira recuperação da economia americana serão capazes de modificar esse panorama, causado, especialmente, pela redução das importações de petróleo do Brasil pelos EUA. A saída, disse Rico, é expandir as vendas de manufaturados para o mercado americano, cuja participação em relação ao total embarcado caiu de 70% em 2008 para 54% em 2013.

— Os EUA estão comprando menos petróleo do mundo todo. Aumenta a produção local de óleo e de gás de xisto. A saída é vender mais manufaturados. Não necessariamente produtos acabados, mas também componentes. Isso significa adicionar valor agregado à pauta de exportações para o mercado americano — disse Rico.

Ele afirmou que os segmentos com mais chances de expansão são o automobilístico, de autopeças, plásticos e químico. Para isso, o presidente da Amcham defende a eliminação de uma série de dificuldades, entre as quais a alta carga tributária.

No caso da China, os principais produtos vendidos pelo Brasil são commodities em geral, como minério de ferro, soja e açúcar. Para Danielly Silva Ramos, professora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, apesar dessa equação assimétrica — o Brasil exporta básicos e compra industrializados dos chineses — é importante levar em conta outros interesses. Ou seja, há outros fatores em jogo, como investimentos do país asiático em áreas como petróleo, energia e transportes.

— O comércio bilateral tem um padrão que se repete há bastante tempo e que pode ser ajustado. Mas é interessante o Brasil manter boas relações comerciais com a China, pois há outros aspectos em curso. Há negociação de financiamento chinês para exploração de petróleo, obras de infraestrutura e logística, além de pesquisa e transferência de tecnologia — enfatizou a acadêmica.

Brasil importou da china mais 11,2% no ano

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento mostram que, de janeiro a agosto, as exportações brasileiras para os EUA caíram 12,3%. O Brasil vendeu menos petróleo, motores, geradores, ferro fundido, autopeças, siderúrgicos, café e fumo ao mercado americano. Ao mesmo tempo, as importações de produtos dos EUA subiram 12,8% no período.

No ano, a China aumentou suas importações de produtos brasileiros em 10,4%, com destaque para minério de cobre, soja em grão, celulose, açúcar, mármores e minério de ferro. E vendeu para o Brasil 11,2% a mais no mesmo período.

Os comentários estão encerrados.

%d blogueiros gostam disto: