Associações nos EUA já se preparam para a implantação do VGM

FONTE GUIA MARÍTIMO

VGM

Para evitar custos decorrentes de operações confusas, gargalo na liberação de embarques nos portos e até interrupção de serviços, grupos se organizam para esclarecer novas regras da IMO.

Cleci Leão 

O relatório publicado no início da semana pela Cowen & Co sobre o impacto das novas regras de pesagem estabelecidas pela convenção de segurança marítima – SOLAS – da IMO (International Maritime Organization) alerta que o mercado está prestes a amargar aumento de preços a partir da instauração do VGM (Verified Gross Mass). Embarcar um container de Los Angeles a Xangai pode ficar até 14% mais caro, diz o relatório, por conta de fatores como maior tempo de operações e gastos com que tanto as companhias marítimas quanto seus clientes terão que arcar, como, por exemplo, taxas de pesagem e de estadia de mercadorias, durante o período em que as informações são coletadas e verificadas.

De acordo com a Cowen & Co, os transitários podem se beneficiar da implantação da nova regra, oferecendo serviços de pesagem para diluir parte da complexidade da regra — cobrando pelo serviço. Entre os intervenientes da cadeia que serão onerados está também o embarcador, que poderá ser levado a optar pelo frete aéreo para escapar dos gargalos nos portos. O impacto sobre o mercado pode chegar aos preços dos produtos, cuja entrada nos Estados Unidos deve sofrer atrasos ou até cancelamento de encomendas pontuais como os materiais de volta às aulas, que estarão girando as prateleiras nos Estados Unidos na época da implantação (prevista para 01 de julho, período de férias letivas).

Assim como no Brasil, diversos embarcadores, agentes e operadores de cargas dos EUA vêm expressando sua preocupação com a falta de informação e transparência quanto à aplicação da nova regra global, o que dificulta as providências por parte de todos os intervenientes para atender às demandas da IMO no prazo estipulado.

Manual de Boas Prátcas

Foto 1Na semana passada, a OCEMA (Ocean Carrier Equipment Management Association), que representa as companhias marítimas de cargas, publicou uma análise própria da regra, ratificada por 18 companhias que adotaram, de forma unânime, o “Manual de Boas Práticas Recomendadas para a Aceitação e Transmissão do VGM (Verified Gross Mass)”. A associação considera o manual como “o primeiro e mais abrangente ‘guia de rotas’ a ser adotado por qualquer segmento, fruto de cinco meses de dedicação dos grupos de trabalho criados pela OCEMA para estudar o VGM”.

Também no início da semana, o Guia Marítimo noticiou o empenho do Sindicomis/ACTC em criar grupos de trabalho para embasar as práticas preparatórias para a aplicação das regras da IMO (Leia no Guia). Os grupos brasileiros também correm contra o tempo para se adequar ao VGM, e deverão elaborar materiais semelhantes ao manual da OCEMA.

Uma das práticas sugeridas refere-se ao momento de compartilhar a informação sobre a pesagem: “Caso o embarcador tenha um computador pessoal, tablet ou smartphone, haverá opções implementadas nos próprios aparelhos para a transmissão do VGM. O manual de boas práticas esclarece quando as informações sobre o carregamento do navio precisam ser enviadas, e de que forma elas podem ser compartilhadas com os operadores de terminais marítimos e NVOCCs de modo a facilitar a estiva”.

Foto 2

É importante lembrar que as regras da IMO são globais e regem todo o transporte internacional, de modo que, a partir de sua implementação, nenhum container poderá ser embarcado no navio sem o envio da massa bruta verificada (o VGM), sendo que os transportadores terão responsabilidade legal de impedir o carregamento de containers que não apresentarem o VGM antecipadamente e de acordo com a norma da IMO.

Em entrevista ao Lloyds Loading List , Jeff Lawrence, Diretor Executivo da OCEMA, disse que a associação, bem como seu grupo de trabalho específico, pretendem trabalhar para que a implementação das novas regras causem o mínimo de interrupção aos processos já existentes. “Temos menos de cem dias até que as regras entrem em vigor, então precisamos trabalhar em conjunto”, disse Lawrence, que lembrou também que as informações sobre o VGM estarão disponíveis no site da OCEMA, o qual permanece aberto a questionamentos por parte de toda a indústria.

Divergência

Segundo o Lloyd’s List , o manual da OCEMA já teve reações contrárias por parte da Coalisão de Transporte Agrícola dos Estados Unidos (AgTC), que declarou acreditar haver maneiras mais simples de atender à nova norma, e que alguns executivos de transportadoras não se mostraram satisfeitos com a abordagem inflexível da OCEMA, “uma vez que o manual só traz mais complexidade e custos, não apenas para o embarcador, mas também para os transportadores”.

 

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