Antaq traz bons resultados do setor portuário e boas expectativas para 2016

FONTE GUIA MARÍTIMO

A expectativa da agência é que o recorde de movimentações portuárias registrado em 2015 deva ser batido novamente esse ano.

Kamila Donato

Dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) apontam que o setor portuário nacional movimentou no ano passado 1,007 bilhão de toneladas, um crescimento de 4% em relação a 2014. Só nos portos organizados a movimentação de cargas em 2015 cresceu 0,7% em relação a 2014. Já nos TUPs (Terminais de Uso Privado) a alta foi de 5,9%. “De 2010 a 2015, o crescimento da movimentação portuária alcançou 20%”, aponta o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da Antaq, Fernando Serra.

Só nos últimos cinco anos, como ressalta Serra, os TUPs aumentaram sua participação na movimentação de contêiner. Enquanto em 2010 eles respondiam por 15%, no ano passado esse número alcançou 26%. Analisando por região, o Sudeste respondeu por 52% da movimentação portuária nacional, já o Nordeste movimentou aproximadamente 25% do total de cargas.

Em 2015, os portos organizados brasileiros movimentaram 351 milhões de toneladas. Já os TUPs responderam por 656 milhões de toneladas. O perfil da carga movimentada nos terminais privados ficou assim: 65% granéis sólidos; 26% granéis líquidos; 5% contêineres; e 4% carga geral solta. Nos portos a liderança continuou com o Porto de Santos, seguido por Itaguaí (RJ), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS) e Itaqui (MA).

De acordo com os dados disponibilizados pela Antaq em seu Anuário, o perfil de carga dos portos organizados ficou com 59% granéis sólidos, 21% contêineres, 15% granéis líquidos e 5% carga geral solta. Segundo Serra, os cinco primeiros portos organizados responderam por 70% do total de cargas movimentadas nessas instalações. Sendo, Santos com 29%; Itaguaí, 16%; Paranaguá, 12%; Rio Grande, 7% e Itaqui, 6%.

Bons resultados 
Os números em 2015 se mostraram positivos, mesmo diante da crise. Um deles foi a movimentação portuária de minério, que cresceu 5,2%, movimentando 400 milhões de toneladas. O crescimento médio anual brasileiro em relação à movimentação de contêineres nas instalações portuárias entre 2010 e 2015 foi de 6,4%, contra 4,8% de 2008 e 2014.
Por tipo de carga, houve também aumento na movimentação. Em relação ao granel sólido, crescimento de 7,24% em comparação com 2014; carga geral solta, aumento de 5,71%. Granel líquido e contêineres registraram pequenas quedas.
Outro destaque foi o crescimento do transporte em vias interiores entre 2010 e 2015 de 13,4%. No ano foram transportados 85,5 milhões de toneladas contra as 83,2 milhões de toneladas registradas em 2014.

Em relação à cabotagem, o modal respondeu por 27% das cargas transportadas. O longo curso ficou com 40%. Já a navegação interior respondeu por 33%. Vale ressaltar ainda que a movimentação da navegação de longo curso em instalações brasileiras (portos e TUPs) registrou crescimento de 5,4%. “Há uma participação expressiva dos minérios. Dos 752,5 milhões de toneladas exportadas, 373,8 milhões representam minérios (49,7% do total) ”, destacou Serra. Já a movimentação da navegação de cabotagem registrou crescimento de 0,03%, com 211,8 milhões de toneladas. “Há uma relevância do óleo (bruto) de petróleo para a cabotagem, com 65,5% de toda a movimentação”, apontou.

Previsões Antaq
A expectativa da agência é que o recorde de movimentações portuárias registrado em 2015 deva ser batido novamente em 2016. De acordo com o diretor-geral da Antaq, Mário Povia, a participação brasileira na movimentação marítima internacional – que em 2015 chegou a 20 bilhões de toneladas – ficou em 3,8%. “Nossa expectativa é que em 2016 o recorde seja novamente batido. Estou bastante convicto disso”.

Segundo ele, “um conjunto de fatores extra portos” deverão contribuir para o novo recorde. “Estamos dotando o país de estruturação. Nossa expectativa é que a melhoria no modus operandi das ferrovias também contribua para isso”.
Para o diretor, esse crescimento de 4% nas movimentações portuárias, obtido em meio a um PIB recuado, se deve “em primeiro lugar”, ao fato de, agora, o país dispor “de uma infraestrutura que melhor responde às demandas”. Em segundo lugar, Povia aponta “o favorecimento cambial [dólar em alta] para exportação de commodities”; e em terceiro lugar, a safra brasileira, que ano a ano vem apresentando resultados bastante positivos.

“O mercado de commodities agrícolas certamente continuará forte, com previsão de chuvas e de maior produtividade. A expectativa é de uma boa movimentação de granéis e vegetais. A de celulose também está indo muito bem, a exemplo dos minérios. Os [produtos] siderúrgicos terão incremento, e o agronegócio, com entrada de fertilizantes, deverá ficar mais forte. Já os contêineres dependerão da economia, que a meu ver deverá ser menos ruim do que em 2015”, argumentou o diretor.

Povia explica que a crise pela qual passa o país poderá favorecer mudanças nas operações “feitas por meio de uma estruturação, que está cada vez mais forte”. “Por exemplo, as empresas [de logística] do setor rodoviário poderão fazer as contas e concluir que o escoamento de cargas pode ficar mais barato pelo modal aquaviário, inclusive de cabotagem. Tudo são janelas de oportunidades que surgem”.

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