Análise: Dilema do grupo X é que projetos são caros e com longo prazo de maturação

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

PEDRO GALDI
ESPECIAL PARA A FOLHA

Todos os projetos do grupo X, liderado por Eike Batista, têm perfil interessante.

Acrescente-se o fato de que são interligados: a produção de minério da MMX serve ao porto de Açu da LLX e à construção de navios e plataformas da OSX, por exemplo.

O grande problema do grupo, contudo, é o prazo de maturação de seus projetos e o volume de investimentos necessários para realizá-los.

O investidor brasileiro tem perfil mais imediatista do que os do exterior, onde é mais comum que o acionista mantenha seu dinheiro em empresas com perspectivas de retorno a longo prazo.
Quando os resultados decepcionam, como tem acontecido com as empresas de Eike, o mercado fica arredio e o valor das ações cai.

Para manter o volume de investimento necessário, o empresário ofereceu as ações do grupo como garantia para vultosos empréstimos.

Como seu valor de mercado é hoje mais baixo do que à época da tomada de recursos, os credores desejam renegociar a dívida ou exigir novas garantias.

A recente associação com o banco BTG Pactual, de André Esteves, serve para consulta de investimentos e, em último recurso, para obter mais empréstimos –a instituição já disponibilizou dinheiro para o grupo antes.

Para fazer caixa, o empresário finaliza a venda de participação na MPX, da área de energia, à alemã E.ON.

Mesmo em empreendimentos que estão em nível mais maduro, como a exploração de petróleo e gás da OGX, os resultados não são animadores para o grupo.

A OGX produz pouco e enfrentou revezes em poços para os quais previa grande extração, mas que se mostraram secos após perfuração.

A MMX, de mineração, tem baixo nível de vendas: em 2012, foram apenas 6,9 milhões de toneladas métricas.

É muito pouco: a Vale, gigante do setor, vendeu 303,4 milhões no ano passado e a CSN esteve na casa dos 30 milhões. Nesse caso, a ampliação dos investimentos não resultou em mudança significativa na produção.

A saída para o grupo de Eike sem dúvida passa por ampliar seus investimentos em projetos que são reconhecidamente bons, mas também é necessário alcançar maiores níveis de produção.

PEDRO GALDI é analista da corretora SLW.

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