Ações da OGX recuam após demissão de diretor financeiro

FONTE: GOIASNET

O Globo

As ações da OGX Petróleo, do empresário Eike Batista, recuam no pregão desta sexta-feira após a empresa demitir o diretor financeiro e de Relações com Investidores da petroleira Roberto Bernardes Monteiro. A saída acontece num momento delicado para a companhia, que está endividada e tenta um acordo com seus principais credores. O diretor-presidente da companhia, Luiz Eduardo Carneiro, admitiu recentemente que um pedido de injeção de recursos dos detentores de bônus ou um pedido de recuperação judicial são considerados. As ações da OGX recuavam 2,50% às 11h50, a R$ 0,39. O Ibovespa exibia queda de quase 1% no mesmo horário.
A saída de Monteiro, que estava no cargo desde abril de 2012, foi decidida pelo Conselho de Administração da OGX em reunião na quinta-feira, segundo ata do encontro enviada nesta sexta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A posição ficará vaga até nova eleição, a ser realizada na próxima reunião do Conselho, ainda sem data marcada. Segundo o documento, o presidente da petroleira, Luiz Eduardo Carneiro, votou contra a destituição de Monteiro.
A OGX não retornou contatos da agência de notícias Reuters para comentar a demissão do diretor financeiro. Monteiro vivenciou alguns dos momentos mais difíceis da OGX. A empresa enfrenta uma grave crise financeira, com dificuldades em seu caixa após fracassos na exploração de petróleo e na produção do campo de Tubarão Azul. Essa situação levou a um crise de desconfiança em relação à empresa e as ações da OGX despencaram. No ano, a perda é de mais de 90%.
No início de julho, a OGX decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos antes consideradas promissoras.Em agosto, a petroleira desistiu de adquirir nove dos 13 blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, evitando um pagamento de R$ 280 milhões de reais ao governo pelos direitos de exploração.
A saída do executivo foi decidida pelo Conselho no mesmo dia em que a Diamond Offshore Drilling, empresa de sondas de exploração, informou ter notificado a OGX de que a empresa está inadimplente com o pagamento de obrigações relativas à sonda Ocean Quest e que pode encerrar o contrato.
Com caixa fraco, outras empresas do Grupo EBX tentam renegociar suas dívidas. A LLX Açu Operações Portuárias, subsidiária da LLX, informou que renovou seu financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por três anos. A renovação é referente ao empréstimo, no valor de R$ 518 milhões, firmado em fevereiro de 2012.
E de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a OSX, empresa de construção naval, também negocia a prorrogação por um ano das dívidas que somam R$ 1 bilhão com o BNDES e a Caixa Econômica Federal, que vencem em outubro. A negociação envolveria também os bancos Votorantim e Santander, que deram garantias aos financiamentos de BNDES e Caixa, respectivamente.
Monteiro havia assumido o cargo na OGX após exercer, entre 2009 e 2012, o cargo de diretor financeiro e de Relações com Investidores da OSX. Recentemente, a direção da petroleira abriu uma disputa com Eike, exigindo do controlador a injeção de até R$ 1 bilhão pelo exercício de uma opção contra o empresário. A OGX está tentando renegociar seus bônus no exterior, que representam a maior parte da dívida de bilhões de dólares da companhia, para ganhar uma sobrevida.
Ontem as ações da OGX caíram 9,09% a R$ 0,41. Um relatório do banco JP Morgan, divulgado na quarta, mostrou que as chances do empresário Eike Batista injetar US$ 1 bilhão na OGX são de 60%. Caso isso aconteça, o preço das ações pode recuar ainda mais dos atuais R$ 0,41 para algo como R$ 0,04 ou R$ 0,05. A diretoria da empresa exigiu que Eike cumpra o contrato de ‘put’, que previa a injeção dos recursos. Eike já contestou o pedido.

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