A estreia do pré-sal, na mídia

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

A opinião da mídia econômica e financeira mundial a respeito do leilão do pré-sal foi menos pessimista do que as publicadas e correntes no Brasil -isto é, pelo menos no que diz respeito às empresas envolvidas. Por “mídia” entenda-se desde jornais e assemelhados até relatórios de instituições financeiras, consultorias e similares.

Sem querer ser muito espírito de porco, relatórios e notícias que caíram nas mãos e ouvidos do colunista parecem um tanto superficiais. Por exemplo, ninguém vai a fundo no problema, ou alardeado problema, de a Petrobras ter de sair do chão puxando os próprios cabelos.

Quer dizer, relevou-se a dificuldade de a empresa ter de arrumar dinheiro para investir no caríssimo pré-sal antes de o petróleo jorrar do mar, dado que a petroleira está no limite aceitável do endividamento e que suas fontes atuais de receita andam mal das pernas.

Se há dúvida agora, pior ainda quando a Petrobras tiver de investir em mais campos do pré-sal, talvez em 2015. Para nem falar da manutenção e da recuperação dos campos que já explora. Etc.

Isto posto, notícias e relatórios eram em geral neutros ou positivos, em particular aqueles sobre a Shell e a Total. Diziam que as empresas garantiram fonte de petróleo até meados da próxima década, que a necessidade de investimento para desenvolver o campo (até 2017) não será assim pesada e, enfim, os rapazes que informadamente chutam preços de ações elevaram os preços dos papéis das duas empresas.

Sim, pode estar tudo errado, como não raro sói acontecer com esse tipo de antecipação, mas não é disso que se trata aqui.

No caso das duas chinesas sócias do campo, a CNPC e a Cnooc, muita análise se detinha no interesse tecnológico das petroleiras. A maior parte das reservas chinesas estaria em águas profundas no mar da China. Os chineses quereriam aprender o negócio a fim de explorar petróleo no seu mar e também na costa da África, como em Moçambique. Aliás, estão chamando petroleiras para explorar em suas águas profundas. Outro aspecto muito enfatizado, óbvio, era o interesse chinês em garantir fontes de recursos naturais, que o Brasil têm, e o de gastar sua
poupança de sobra, que o país não tem.

No comentarismo todo sobre o leilão havia, claro, prolegômenos, poréns e notas sobre o estatismo e/ou avidez do governo, o de costume, o que teria afastado gigantes como Exxon, Chevron e BP. Um tanto contraditoriamente, porém, havia otimismo sobre os prospectos financeiros de Shell e Total (o retorno do megainvestimento em Libra seria atrativo).

De mais sombrio, embora também sabido, eram os comentários sobre os riscos de o pré-sal perder a competição por investimentos (e capacidade técnica de exploração).

Há petróleo e gás para explorar no xisto americano, na Sibéria, possibilidade imensas na África, uma eventual reconstrução do Iraque etc. O programa brasileiro é bom, mas em si mesmo caro (por ser “pré-sal) e ainda mais custoso devido a exigências de conteúdo nacional nos equipamentos e de receita pesada para o governo, dizem. Se fato, isso pode baratear relativamente o petróleo pelo mundo, atrasando e tirando a graça do pré-sal brasileiro.

É o que diziam ontem, pelo menos.

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