Depois das dificuldades de 2020, a Shell Brasil vai focar em energia e gás e espera os leilões de petróleo em sistema de concessão

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 28 de dezembro de 2020

O Projeto Perspectivas 2021 abre a semana trazendo um perfil sobre o impacto que a Pandemia causou em uma das maiores indústrias petroleiras do país, a Shell Brasil.

O Diretor  de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios para o Brasil, Flavio Ofugi Rodrigues, detalha as prontas ações das empresas e as dificuldades, mas ressalta em suas revelações o espírito de equipe que os 800 funcionários da companhia no Brasil manifestaram durante todo esses tempo: “Transformar suas casas em escritórios virtuais, acumular tarefas domésticas e profissionais e em meio a todos os desafios entregar os melhores resultados é algo de que todos devemos  nos orgulhar.” Flavio também fala sobre as boas perspectivas para 2021, especialmente no campo da energia e gás e também espera que o governo mude para o sistema de concessão os próximos leilões de petróleo. Vamos então saber como a companhia enfrentou as dificuldades de 2020, como as superou e o que espera para o ano que vem, que já está batendo nas nossas portas:

1- Como o senhor e a sua empresa enfrentaram os desafios de 2020 com a pandemia apanhando a economia em pleno voo de subida?

–  O ano de 2020 nos impôs muitos desafios, seja pelo lado profissional ou pessoal. O distanciamento forçado de parentes e amigos, e também dos colegas de escritório nos levou a uma realidade muito distinta e foi preciso uma capacidade de adaptação muito grande. Posso dizer que a Shell Brasil conseguiu um excelente desempenho. 

Isso se deve aos mais de 800 funcionários da Shell Brasil que impressionaram todos os dias, mesmo trabalhando em sua maioria remotamente há quase nove meses.  Seja em suas casas, nos navios-plataforma ou no chão de fábrica, cada um deles tem uma participação em nosso resultado de 2020. Transformar suas casas em escritórios virtuais, acumular tarefas domésticas e profissionais e em meio a todos os desafios entregar os melhores resultados é algo de que todos devemos nos orgulhar.  Isto somente demonstra a capacidade do ser humano de se adaptar, ter resiliência e acima de tudo desenvolver o cuidado com os outros. Tudo isto ficou muito evidente ao longo de ano em várias reuniões, projetos, sessões de comunicação com os funcionários e também nas atividades offshore.

Na parte logística e na preservação da saúde de nossos funcionários e contratados, os desafios foram inúmeros.

Todas as operações nas plataformas estão ocorrendo com medidas sanitárias rígidas para proteger a saúde de todos os trabalhadores e das pessoas que residem onde são realizadas as atividades.

2- Quais são as perspectivas do senhor e de sua empresa para 2021?

– O ano de 2021 para a Shell Brasil será novamente de muito trabalho e dedicação. Em águas profundas, seguiremos firmes no desenvolvimento de projetos em blocos adquiridos nos últimos leilões, acompanhando nossos parceiros na operação de ativos não-operados no Pré-Sal e operando com a seriedade e segurança de sempre nos campos do Parque das Conchas e Bijupirá & Salema. 

Além disso, damos continuidade aos nossos projetos ligados ao gás, como a usina termelétrica Marlim Azul, onde somos sócios junto com o Pátria Investimentos e a Mitsubishi.

Na área de novas energias, o Brasil é dos principais focos de investimentos do Grupo Shell. Por aqui, temos um grupo de desenvolvimento de projetos próprios em energia solar, com o objetivo de atender à crescente demanda no mercado livre, impulsionada por grandes consumidores de energia.

Agora falando sobre a economia, de maneira mais ampla, o CEO do Grupo Shell, Ben van Beurden, admitiu em entrevista recente, que ainda é cedo para afirmar como ficará o mercado global de energia de agora em diante, embora não enxergue uma recuperação em formato de V.

A companhia observou uma recuperação na demanda por combustíveis, especialmente em áreas onde as pessoas não têm por hábito muito de depender do transporte público, e com isso, é visto um pouco mais de uso de combustíveis para transporte pessoal.

Mas de maneira geral, a demanda por energia e por mobilidade serão enormes mesmo depois que a pandemia passar.

O mesmo vale para o gás natural. A Shell considera que o impacto visto na demanda por gás será sentido por mais algum tempo. No longo prazo, o gás tem o potencial de crescer mais do que qualquer fonte de hidrocarbonetos. No entanto, esse crescimento será inevitavelmente adiado porque a demanda por gás que foi perdida não será recuperada. Ao mesmo tempo, a Shell acredita que os investimentos são ajustados, seja pela disponibilidade de caixa, poder de compra, ou pela aversão ao risco que empresas como a nossa terão por algum tempo.

3 – Se o senhor fosse consultado, quais as sugestões e recomendações faria para o governo neste ano que está prestes a começar?

A Shell está no Brasil há mais de 107 anos e sempre teve um diálogo muito propositivo com todos os governos.

 

Acreditamos que nosso país tem um potencial de investimentos e desenvolvimento econômico muito grande e temos feito avanços significativos no arcabouço regulatório. Mas é preciso seguir adiante, tornando o mercado nacional cada vez mais competitivo. A criatividade e colaboração devem pautar a agenda dos agentes para 2021 para que consigamos manter o Brasil no radar dos investimentos globais em energia, mas todos os outros setores da economia.

 A indústria de óleo e gás tem enfrentado desafios globalmente. É imprescindível que todas as partes interessadas, Governo, reguladores e a cadeia de suprimentos, continuem trabalhando em prol da atratividade e competitividade. O Brasil tem a oportunidade de tomar uma decisão no ano que vem sobre o modelo de contratação para o país.

O modelo de concessão, na nossa visão, é mais competitivo e vai atrair mais investimentos, dada a situação da indústria. O Brasil não pode deixar passar esta janela de oportunidade. É essencial que essa transição preserve os termos e as condições contratuais atuais, mas também melhore o ambiente atual, permitindo investimentos futuros, considerando o perfil de risco atual, geológico e comercial, a fim de garantir o sucesso das novas rodadas de licitação. Outro item relevante é dar andamento a abertura do mercado de gás natural, através da aprovação da lei em tramitação na Câmara dos Deputados e regulamentações da ANP.

 

 

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