Abespetro aponta para ciclo de contratação mais sólido da indústria local nos próximos anos

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 18 de fevereiro de 2019

Por Davi de Souza

O mercado de óleo e gás está seguindo a trilha da retomada, após uma “tempestade perfeita” que abalou o ambiente de negócios a partir de 2014.

O setor sofreu um baque e o empresariado brasileiro, com determinação e perseverança, se desdobrou para suportar os tempos difíceis. Agora, após as recentes mudanças regulatórias e com a entrada de novos players, a perspectiva para os próximos anos é de crescimento. Para a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), o novo ciclo que desenha será mais robusto do que o anterior, tendo em vista as futuras contratações de navios-plataformas. “Apesar da flexibilização dos níveis e metodologia de mensuração dos índices de conteúdo local, indiscutivelmente a retomada das contrações dos FPSOs representará um novo ciclo para contratação de bens e serviços para Projetos no Brasil, em bases muito muitas sólidas e sustentáveis que outrora”, afirmou a entidade. Porém, na visão da diretoria da associação, há variáveis, como o preço do óleo, que podem influenciar essa demanda. “Então, é preciso cautela e preparação para eventuais cenários adversos”, acrescenta. Para 2019, a ABESPetro focará suas ações em áreas como Conteúdo Local e Pedefor, além de suportar o desinvestimento da Petrobrás em Campos Maduros. “Avaliamos que será uma ótima oportunidade tanto para o país, pois o aumento do fator de recuperação decorrente de mais atividade em campos maduros implica crescimento econômico, quanto para os fornecedores, pois a presença e operação de mais petroleiras implica mais robustez para toda a cadeia produtiva”.

Quais foram as principais ações da associação em 2018?

Em 2018, tivemos conquistas significativas na história da ABESPetro. Fizemos contribuições relevantes para os avanços na política de Conteúdo Local, Repetro e pluralidade de petroleiras no pré-sal.

Participamos de reuniões com a ANP, de diversos eventos do setor e, em especial, da consulta pública sobre melhoramento das regras de investimento do 1% em Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Defendemos regras mais simples e o acesso de entidades privadas aos recursos de PD&I (incluindo empresas grande porte e seus centros de tecnologia).

A ABESPetro também realizou um trabalho técnico de suporte aos associados através dos nossos comitês permanentes e grupos de trabalho, que contam com mais de 600 voluntários. Produzimos muito conhecimento, com o foco de auxiliar o entendimento de questões relevantes da nossa indústria. Podemos citar, como exemplo, nossa participação na revisão do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO) com a ANP e discussões referentes ao tema Coral Sol.

Além disso, mudamos, em maio, para um novo escritório, com objetivo de atender melhor nossas empresas associadas e produzir muito mais conteúdo de qualidade.

A Abespetro esteve recentemente em reunião com o ministro de Minas e Energia. Qual foi o balanço do encontro?

A reunião com o Ministro e sua equipe direta teve por objetivo ouvir os representantes de entidades do setor de óleo, gás e biocombustíveis sob influência do Ministério de Minas e Energia e conhecer as linhas de ação do MME para esses respectivos setores.

A ABESPetro considera muito relevante o apoio do MME para os temas do setor óleo e gás, mas como estas foram reuniões iniciais, em outros encontros avançaremos em temas mais específicos. Também acreditamos que as próximas reuniões contarão novamente com a presença da ABESPetro, IBP e outras associações atuantes nesse setor, o que enriquecerá ainda mais a discussão.

Quais serão as principais ações da entidade para o ano de 2019?

Em 2019, as ações serão no sentido de aprimorar a regra de PD&I, Conteúdo Local, Pedefor e suportar o desinvestimento da Petrobras em Campos Maduros, permitindo aquisição por novas operadoras e consequentemente acelerar investimentos nesses campos para desenvolvê-los ou revitalizá-los, gerando, assim, demanda e empregos para a indústria, aumento da produção e royalties/impostos para os governos, em curto prazo.

Acelerar o desenvolvimento e introdução de novas soluções para indústria de óleo e gás, desenvolvendo engenharia e fornecedores locais para aplicação no Brasil ou no exterior (exportação), além do aprimoramento e simplificação de impostos (reforma fiscal) e do Repetro para desonerar a indústria (fornecedor principal e os subfornecedores da cadeia de suprimentos) reduzido o custo de investimentos dos operadores (em E&P) e tornando nossa indústria mais competitiva para exportar.

Como a associação avalia a futura demanda por FPSOs no Brasil e como a cadeia local de fornecedores poderá se envolver nestes projetos?

Segundo estudos recentes publicados pela PPSA, o modelo de partilha de produção brasileiro demandará algo em torno de 19 FPSOs durante os próximos dez anos, com investimentos totais estimados na faixa de US$ 100 Bi em poços e sistemas de produção.

Com a abertura do mercado e a chegada das IOCs, espera-se que a médio prazo as novas operadoras ampliem a demanda por unidades de produção. A consequente redução da interdependência da Petrobras terá como efeito a diversificação das opções para a cadeia local de fornecedores e prestadores de serviços. Apesar da flexibilização dos níveis e metodologia de mensuração dos índices de conteúdo local, indiscutivelmente a retomada das contrações dos FPSOs representará um novo ciclo para contratação de bens e serviços para Projetos no Brasil, em bases muito muitas sólidas e sustentáveis que outrora.

Além disso, avaliamos como potencial oportunidade combinar essa demanda com a aplicação do 1% de PD&I para alcançar competitividade internacional e centro de excelência local para alguns segmentos do FPSO a serem definidos como estratégicos.

Contudo, há variáveis que, por sua relevância e incerteza, como o próprio preço do óleo, podem influenciar essa demanda. Então, é preciso cautela e preparação para eventuais cenários adversos. Avaliamos que será um período em que teremos oportunidade de fortalecer o sistema de fornecedores por seu envolvimento tanto nas etapas de engenharia quanto na construção e operação dos FPSOs.

A questão dos campos maduros, sobretudo na Bacia de Campos, tende a ganhar bastante atenção. Como vocês avaliam esse cenário e quais são as propostas da Abespetro?

Nós da ABESPetro entendemos que os segmentos e as oportunidades oriundas do pré-sal, dos Campos Maduros e do onshore são completamente distintas e para cada uma delas precisamos de um tratamento diferente e customizado para que a indústria possa se desenvolver em toda a sua potencialidade.

No caso dos Campos Maduros, há dois fatores essenciais para aumentar a atividade relativa a campos maduros: os desinvestimentos da Petrobras e os avanços regulatórios.

Avaliamos que será uma ótima oportunidade tanto para o país, pois o aumento do fator de recuperação decorrente de mais atividade em campos maduros implica crescimento econômico, quanto para os fornecedores, pois a presença e operação de mais petroleiras implica mais robustez para toda a cadeia produtiva.

Dadas as condições desafiadoras do pré-sal, a Abespetro acredita que o fornecimento de soluções subsea tende a crescer no mercado brasileiro? Qual o potencial da cadeia local neste segmento?

As soluções subsea guardam relação direta e linear com a atividade petrolífera no Brasil, por sua concentração em águas profundas e ultra-profundas. O crescimento é, por assim dizer, inevitável. A cadeia local no segmento subsea tem capacidade produtiva e tecnológica para atender o mercado local e o mercado internacional. Acreditamos que o novo ciclo de crescimento pode e deve ensejar maior presença do Brasil nas Cadeias Globais de Valor do segmento subsea para petróleo.

Vale dizer que independentemente das suas condições desafiadoras, o pré-sal já se configura como uma importante e grande reserva economicamente viável, responsável por mais da metade da produção atual do pais, fato também corroborado pela sua atratividade dos últimos leiloes da ANP e pelo Plano de Negócios da Petrobras.

Além do futuro promissor da Petrobras em investimentos no subsea, a indústria espera com ansiedade a entrada dos novos operadores (internacionais e locais), seja para desenvolver seus campos adquiridos, seja pelas oportunidades de aquisição de Campos Maduros da Petrobras, estes últimos com impactos de demanda em prazo mais curto. A indústria de fornecedores para sistemas submarinos no Brasil foi construída nos últimos 40 anos e possui alta capacitação local com fábricas, engenharia, serviços e barcos de instalação entre outros. Não existe nenhum outro pais no mundo com a presença e base instalada de todos os fornecedores subsea como no Brasil.

Como a entidade enxerga hoje a questão de conteúdo local e como o governo deve tratar este tema, na visão da Abespetro?

A regulação de Conteúdo Local avançou muito nos últimos anos. Esse avanço contribuiu para a retomada do setor, que hoje testemunhamos. O próximo passo nesse tema é o avanço do Pedefor, fazendo com que nossa engenharia seja mais valorizada e com que nossas exportações de produtos e serviços para o setor petrolífero sofram crescimento acelerado e sustentável.

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