PSDB segue no governo Temer, mas pode reavaliar posição diante de fatos novos

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PSDB segue no governo Temer, mas pode reavaliar posição diante de fatos novos

Lideranças do PSDB durante reunião do partido em Brasília 12/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

FONTE REUTERS – Matéria publicada em 12 de junho de 2017

Foto: Lideranças do PSDB durante reunião do partido em Brasília 12/06/2017. REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – As principiais lideranças do PSDB reunidas em encontro ampliado da Executiva Nacional do partido na noite desta segunda-feira decidiram manter a legenda no governo do presidente Michel Temer, disse o senador e ex-ministro José Serra (PSDB-SP).

Embora parte dos tucanos, principalmente os mais jovens, viessem defendendo o desembarque de um governo já desgastado pelas recentes denúncias a partir de delações e gravações entregues à Justiça por executivos da J&F, que controla a JBS, a maior parte dos integrantes da sigla considerou que um rompimento não faria sentido diante da negativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em cassar a chapa Dilma-Temer.

Venceu o discurso de que é necessário garantir a governabilidade e possibilitar a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência.

“O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo”, disse Serra a jornalistas ao deixar a sala onde os tucanos se reuniam, acrescentando que romper com o governo neste momento “seria um fator desestabilizante sem saber o que viria adiante.”

O tucano, no entanto, não descartou uma reavaliação desta posição no futuro, especialmente diante de possíveis fatos novos que atinjam Temer, que responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.

“Se for o caso em um outro momento se analisa”, disse Serra, lembrando da necessidade de se considerar o que vem à frente. “Vamos refletir sobre os fatos… e também tem uma estratégia política de longo prazo”, disse o senador.

A decisão de permanecer na base de Temer levou em conta a proximidade das eleições de 2018. Caciques peemedebistas já mandaram o recado e lembraram que apoios são firmados na base da reciprocidade.

Da mesma forma, ainda que o partido passe por uma crise de identidade, correligionários mais experientes também levam em conta a situação do senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB, implicado na delação da JBS. Em caso de um processo de cassação do mandato do tucano, seria preciso a boa vontade do PMDB.

Também de olho nas eleições de 2018, boa parte dos tucanos defendeu uma antecipação das eleições partidárias para firmar Tasso Jereissati na condução nacional do partido –o senador atualmente é o presidente interino da sigla– e eleger novas direções. A ideia é revigorar e dinamizar a sigla para o próximo embate eleitoral.

Mais cedo, importantes quadros do partido disseram à Reuters que o PSDB manteria seu apoio ao governo com “condicionantes” – dentre elas a real dimensão da denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve oferecer contra Temer, o que possivelmente acarretaria em uma paralisia ou abrandamento das reformas no Congresso, defendidas pelo PSDB. Também pesará na posição do partido o eventual surgimento de fatos novos que tornem a situação do governo insustentável.

 

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