DIGITALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DE PETRÓLEO REDUZIRÁ ACIDENTES, MAS VAI EXIGIR NOVAS COMPETÊNCIAS DOS PROFISSIONAIS

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DIGITALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DE PETRÓLEO REDUZIRÁ ACIDENTES, MAS VAI EXIGIR NOVAS COMPETÊNCIAS DOS PROFISSIONAIS

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 20 de julho de 2018

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Um tema tem ganhado cada vez mais destaque no meio do setor mundial de óleo e gás. Trata-se da Indústria 4.0, que já tem impactado no mercado e deve tomar ainda mais importância com o passar dos anos.

Dada a relevância do assunto, ele será o tópico principal da 13ª edição do Fórum IBEF de Óleo, Gás e Energia, que será realizado no dia 10 de agosto, no Auditório da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, na Praça XV. O encontro é coordenado pelo executivo Fernando Potsch e, segundo ele, digitalização e inovação são questões ainda bem recentes no Brasil, mas precisam ser discutidas mais profundamente para que o segmento de óleo e gás acompanhe essas tendências mundiais. “O setor só vai se tornar competitivo se conseguirmos extrair o petróleo por um custo mais barato e que ele seja cada vez menos poluente. Isso só pode ser obtido com inovações muito fortes. Esta é a temática do nosso evento”, afirmou. Potsch acredita que a digitalização vai diminuir o número de acidentes e fatalidades drasticamente, mas destaca que um grande desafio será adaptar os profissionais a esta nova realidade de mercado. “Algumas funções serão robotizadas e o mercado vai contratar pessoas capazes de transformar dados em informação. Preocupa pensar como treinaremos essas pessoas”, analisou.

Gostaria que o senhor falasse sobre os temas centrais do evento.

Esta é a 13ª edição do evento, que é muito tradicional e referência no mercado de petróleo para discutir cenários e tendências do setor. Todos os anos, eu vou a OTC Houston, nos EUA. Lá, eu colho os cenários futuros do segmento. No ano passado, o fórum foi baseado numa tendência que era pensar a cadeia produtiva local por network global. Vimos que nosso conteúdo local era muito mais voltado para reserva de mercado do que para competitividade. Isso mudou. E percebemos pelas entrevistas que fizemos em Houston que o cenário futuro exigia pensar na cadeia local e network global. Foi um sucesso.

Neste ano, estamos percebendo que o mercado de petróleo e gás no Brasil tinha um problema chamado “Custo Brasil”. E o pré-sal estava se tornando inviável, porque os gastos eram muito altos. Em cima das novas tecnologias e inovações disruptivas que o mercado vem trazendo, o custo do pré-sal caiu de US$ 30 para US$ 12, de acordo com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Décio Oddone. Isso é decorrente do uso intensivo de novas tecnologias da indústria 4.0. Em Houston, o grande debate era rever os 50 primeiros anos da feira e projetar os próximos 50. O que se percebeu na feira é que o mercado de petróleo é, necessariamente, inovador. E, agora, o usos das energias renováveis tende a ocupar um espaço muito forte no mundo. Por isso, o setor de petróleo só vai se tornar competitivo se conseguirmos extrair o petróleo por um custo mais barato e que ele seja cada vez menos poluente. Isso só pode ser obtido com inovações muito fortes. Esta é a temática do nosso evento.

Como está o movimento de digitalização no Brasil?

A digitalização e inovação, aqui no Brasil, são ainda discussões muito recentes. Apesar de que a indústria vem investindo em tecnologia. O tema da transformação digital não é novo. Basta lembrar que, desde a década de 90, a indústria do petróleo utiliza de digital para a questão da sísmica. O novo é o uso intensivo dos sensores que colhem milhares de dados e a capacidade de transformar esses dados em informação e conhecimento. Este é o grande desafio. No Brasil, temos algumas empresas startups que estão trabalhando profundamente com novas tecnologias, trazendo para o mercado a capacidade de interpretar as informações dos sensores. Desta forma, vamos conseguir extrair dados e ser mais preditivos.

As empresas hoje estão prontas para essa transição?

Existe uma linha de pesquisa no Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do qual eu faço parte, sobre a passagem da sociedade analógica para a digital. Existe uma discussão se é possível transformar as empresas analógicas em digitais. A história tem mostrado que não. Essas companhias são muito pesadas e não têm conseguido fazer essa passagem. Daí surgem essas chamadas “startups disruptivas” que, em um instante, transforma o mercado. O maior exemplo disso é que a maior empresa de transporte do mundo não tem um carro – o Uber. 

Quais serão os principais desafios neste novo cenário?

Uma das grandes problemáticas é que, com a crise do petróleo de 2015, muitos profissionais qualificados foram demitidos. Eu conversei com todos os participantes do fórum deste ano e a grande preocupação que percebo é: com a mudança que ocorreu no mercado, que cada vez mais é disruptivo e digital, o novo profissional para este ambiente não está formado. Existe muita gente disponível no mercado, mas teremos vagas nas quais eles não se encaixam. É o que estamos chamando de “analista de dados”. Algumas funções serão robotizadas e o mercado vai contratar pessoas capazes de transformar dados em informação. Preocupa pensar como treinaremos essas pessoas para que possam vir ao mercado.

A despeito dos desafios, quais serão as vantagens para a indústria?

A principal vantagem será a maior integridade e precisão nas ações. Teremos máquinas programadas para não errar e com capacidade de processamento infinita. Essa possibilidade de ter evidências preditivas vai diminuir o número de acidentes e fatalidades drasticamente, porque teremos uma precisão muito grande. Na indústria de petróleo, por exemplo, não teremos mais uma plataforma com risco de integridade ou que tenha alguma possibilidade de acidente ou fatalidade. Isso porque teremos tudo isso esquadrinhado pela digitalização e sensores. Cada vez mais, a potência dessas coisas será maior.

 

 

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