Setor marítimo pode decepcionar nas negociações climáticas

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Setor marítimo pode decepcionar nas negociações climáticas

FONTE PORTOS E NAVIOS – Matéria publicada em 10 de abril de 2018

Mais de 170 países da Organização Marítima Internacional (IMO) passaram a última semana debatendo uma série de caminhos para descarbonizar o transporte marítimo internacional, que atualmente responde por estimados 2% do dióxido de carbono na atmosfera, mas que poderá gerar 20% do CO2 global até 2050.

Até o momento, o que está na mesa decepciona: a proposta de cortar em apenas 50% suas emissões de CO2 (em relação aos níveis de 2008) até 2050.  Motivo: um avanço tão pequeno pode colocar as metas do Acordo de Paris em risco.  As negociações têm prazo para se encerrar nesta sexta, 13 de abril.

O texto atual em negociação estabelece: “Pico das emissões de GEE [gases de efeito estufa] do transporte marítimo internacional o mais cedo possível e reduzir as emissões anuais totais de GEE em pelo menos 50% até 2050 em comparação com 2008, enquanto perseguimos esforços para eliminá-los conforme exigido como trajetória contínua de redução de emissões de CO2 consistente com as metas de temperatura do Acordo de Paris.”

Por si só, esse compromisso é insuficiente para cumprir as metas do Acordo de Paris de 2015, que visa um limite ao aquecimento médio do planeta de 1,5 ° C em relação a níveis pré-industriais. Estados membros da União Européia, ilhas do Pacífico e nações caribenhas aliadas a alguns governos latino-americanos pedem que a IMO estabeleça uma estratégia de acordo com 1,5 ° C, a qual teria  como meta cortes de 70% a 100% até 2050. Na terça-feira, David Paul, ministro de Meio Ambiente do país insular Ilhas Marshall, disse que seu país sairia das negociações se o acordo não fosse forte o suficiente.

Ele declarou: “Para os países em desenvolvimento que estão preocupados com o impacto que a ação climática terá sobre o transporte, digo isto: duvido que haja muitos — ou nenhum — países nesta sala que tenham um interesse econômico maior no resultado desse MEPC do que as Ilhas Marshall, considerando-se a importância do setor de navegação como uma porcentagem do nosso PIB e nossa dependência quase total da navegação para o comércio. Por isso, falo com considerável credibilidade quando digo que o argumento apresentado por alguns de que a ação climática significa um impacto negativo no transporte e no comércio é completamente e totalmente falso”.

Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, “dada a crescente vulnerabilidade de todas as nações, economias e comunidades aos impactos da mudança climática, os sinais de política e mercado precisam se alinhar rapidamente para encorajar a indústria marítima a fazer a transição necessária para emissões líquidas zero de gases de efeito estufa”. O secretário-geral pediu que as nações adotem uma estratégia Inicial ambiciosa na IMO que apoie a modernização do setor de transporte marítimo de maneira consistente com as ambições do Acordo de Paris .

Dado que os navios são construídos para durar pelo menos 20 anos, os analistas de navegação que estão acompanhando as negociações no âmbito da IMO esta semana, em Londres, acreditam que isso estenderia a construção de embarcações movidas a combustíveis fósseis até 2040 — o que seria uma loucura, do ponto de vista dos investidores, que veriam seus ativos se depreciarem rapidamente, já que “uma redução de 50% nas emissões diretas de gases do efeito estufa significa que a maioria dos novos navios construídos na década de 20 terá que ter emissão zero”, explica Faig Abbasov, especialista em políticas marítimas da ONG Transport & Environment, com sede em Bruxelas.

 

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