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Justiça Federal interroga réus da Lava Jato no Rio

FONTE G1 – Matéria publicada em 06 de dezembro de 2017

Juiz Marcelo Bretas ouve, pelo terceiro dia consecutivo, réus do processo da Operação Crossover. Ex-governador Sérgio Cabral foi interrogado nesta terça

Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

O juiz Marcelo Bretas começou, por volta das 13h30 desta quarta-feira (6), o terceiro dia de interrogatórios de réus do processo da Operação Crossover, um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio. Serão interrogados nesta tarde: Irineu Berarbi Meirelles e Karine Karaoglan Khoury Ribeiro, da Odebrecht; Juarez Miranda Júnior, da Camter; e Paulo César Almeida Cabral, da EIA .

Antes de começar a colher o depoimento da primeira testemunha, o juiz citou os trâmites jurídicos. O magistrado explicou as condições de colaboração e afirmou que a depoente não precisava ficar nervosa com a audiência. Em dado momento, Bretas explicou que algumas pessoas ficam nervosas por terem atribuído a ele a fama de mau, mas que isso seria uma inverdade.

“Ninguém entra aqui condenado. Você não precisa se preocupar, não precisa se lembrar de nada, nem dizer nada. A senhora não precisa ficar nervosa. Me deram essa fama de malvado que eu não aceito”, disse ele. O juiz também homologou a suspensão condicional do processo de duas pessoas que seriam ouvidas, são elas: Maurício Rizzo e Gustavo Souza. Com isso, o depoimento de ambos foi dispensado.

No processo da Crossover, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e outras 19 pessoas, entre elas executivos de 9 empreiteiras, são acusados pelos crimes de formação de cartel, superfaturamento e fraudes em licitações nas obras de reforma do Maracanã para a Copa de 2014 e do PAC das Favelas.

Para o Ministério Público Federal (MPF), os fatos apontados na denúncia formam parte do elo entre os crimes apurados pelas operações Saqueador e Calicute, que já haviam denunciado o pagamento de propina e a lavagem de dinheiro. Agora, neste processo, são denunciados os crimes de formação de cartel, superfaturamento e fraudes em licitações, todos relativos às mesmas obras investigadas nas duas operações e praticadas pela mesma organização criminosa, supostamente chefiada por Cabral.

Nesta terça-feira (5), em depoimento, ex-governador Sérgio Cabral classificou como “presente de puxa-saco” o anel de 220 mil euros dado a sua esposa, Adriana Ancelmo, pelo ex-dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, em 2009.

O ex-governador também disse que não atuou na escolha das empresas que participaram da licitação para a reforma do Maracanã e deu a entender que o atual governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), então secretário de obras, teve autonomia no processo.

“Presente de puxa-saco para me agradar, para minha mulher, que foi devolvido e ele assumiu”, disse Cabral, questionado sobre o anel.

“Chega a ser risível, um ano depois da obra do Maracanã. Um empreiteiro encalacrado, um réu, que lavou mais de R$ 300 milhões. Devolvi para ele em 2012 [o anel] e não quis mais conversa, rompemos relações”, afirmou.

Em depoimento na mesma vara na segunda-feira, Cavendish disse que o anel foi uma contrapartida para a construtora Delta participar da licitação da reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014, com 30% da obra. Também na segunda, o ex-executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa havia afirmado que a Delta foi imposta no convênio do Maracanã por Cabral.

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