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Sargento vira réu por incêndio em estação na Antártida

FONTE: VEJA.COM

MP Militar afirma que o responsável por abastecer tanques de combustível abandonou posto para participar de festa

A Primeira Instância da Justiça Militar da União, em Brasília, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar (MPM) contra o sargento da Marinha acusado de ser o responsável pelo incêndio que destruiu cerca de 70% da Estação Comandante Ferraz, na Antártida, em fevereiro do ano passado.

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Vista da base antártica Comandante Ferraz antes do incêndio que destruiu a instalação (Ana Nascimento)

O sargento havia sido denunciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e danos à instalação em dezembro. O Ministério Público responsabiliza o sargento pela morte de dois militares que ajudaram a combater o incêndio. O prejuízo causado pelo fogo foi estimado em R$ 24,6 milhões.

Por determinação do juiz da Auditoria de Brasília, o processo corre em segredo de Justiça. Por isso, o nome do sargento não foi divulgado. Em dezembro, quando a denúncia do MPM foi apresentada, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o denunciado foi o primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPM, o sargento era o responsável por fazer a transferência do óleo diesel armazenado em um tanque de armazenamento na área externa da Estação para outros dois existentes na praça de máquinas. Esses tanques alimentavam os geradores de energia elétrica da base militar.

Na noite de 24 de fevereiro de 2012, por volta das 23h30, ele realizava o procedimento quando resolveu abandonou o posto, meia hora antes da operação ser concluída, para se dirigir a uma sala de estar da base, onde ocorria uma festa de despedida de uma pesquisadora. Medeiros permaneceu na sala de estar até as 0h40 do dia 25 de fevereiro, quando houve uma queda de luz. Ao voltar à praça de máquinas, ele se deparou com o incêndio, já de grandes proporções.

Laudos do Núcleo de Perícia Judiciária da Marinha e do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal, além de parecer técnico da Diretoria de Engenharia Naval, constataram que, como o sargento deixou de encerrar o procedimento de transferência de combustível no tempo adequado, os tanques de serviço transbordaram. O óleo diesel teve contato com as partes quentes do gerador de energia elétrica em funcionamento, provocando a combustão e o incêndio que destruiu a base brasileira. O Código Penal Militar prevê que o sargento, caso seja condenado, poderá pegar até dezesseis anos de prisão.

De acordo com nota publicada na noite de quarta-feira pela Justiça Militar, a instrução criminal do processo contra o militar começará no próximo dia 28 de fevereiro, quando o acusado será interrogado e outras seis testemunhas serão ouvidas. A sessão não será aberta, por causa do segredo de Justiça.

(Com Estadão Conteúdo)

 

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