PGR, TCU E POLÍCIA FEDERAL VÃO INVESTIGAR DA VENDA REPENTINA COMO SUCATA DAS PLATAFORMAS P-71 E P-72

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PGR, TCU E POLÍCIA FEDERAL VÃO INVESTIGAR DA VENDA REPENTINA COMO SUCATA DAS PLATAFORMAS P-71 E P-72

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 09 de março de 2018

A Petrobrás será investigada pela Procuradoria Geral da República,  pelo Tribunal de Contas da União e pela Polícia Federal que querem encontrar as razões reais para o desmantelamento e venda como sucatas das Plataformas P-71 e P-72, que estão ocupando o estaleiro da ECOVIX, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Em outubro do ano passado, o Ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse em uma reunião em Brasília, onde estavam presentes representantes da Petrobrás, da cidade de Rio Grande e outras autoridades ,  que as plataformas “P-71- e P-72 não fazem mais parte do Plano de Ação  de Projetos da Petrobrás.” Agora se sabe que os dois cascos estão sendo feitos na China vao substituir essas plataformas que foram vendidas como sucata.  Enquanto isso os dois navios, com peças especiais caríssimas, estão espalhados pelos pátios do estaleiro sendo cortados. Nesta quinta-feira(8), o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande, Benito Gonçalves, esteve na Câmara Federal, no Senado, e, depois de um dramático protesto solitário na Praça dos Três Poderes,  foi acompanhado dos Deputados Marcos Maia e Paulo Pimenta à Procuradoria Geral da República e ao Tribunal de Contas da União para denúncia a terrível que a população de Rio Grande está atravessando.

Com a decisão de se enviar os dois cascos para fora do país, mais de 3,5 mil pessoas ficaram desempregadas. A situação de Rio Grande é desesperadora, porque a P-74 deixou recentemente outro estaleiro de Rio Grande, eliminando emprego de mais de 3 mil trabalhadores. Os serviços de montagens dos módulos que estão sendo feitos no QGI, também em Rio Grande, terminará em poucos meses, significando mais desemprego para a região. E pior é que não há perspectiva e nem a Petrobrás se comove com o problema. Neste momento há dezenas de plataformas que já passaram do prazo para serem descomissionadas, mas não há planos de se enviar qualquer uma delas para o sul do país. A situação local é alarmante.

Mas que tem caroço debaixo desse angu,tem.  E só uma investigação séria pode revelar as verdadeiras causas da atual diretoria da Petrobrás ordenar destruir as duas plataformas quando estavam prontas para serem montadas.  O Petronotícias foi quem revelou esse problema pela primeira vez.   Apesar do conhecimento da direção da companhia, do compliance e da ouvidoria empresa, não houve, até agora, nenhuma manifestação formal da companhia sobre o problema. A empresa pode até ter sido obrigada a vender as plataformas como sucata por erros nos projetos, conforme o Petronotícias publicou em primeira mão, no dia 18 de outubro do ano passado, mas deveria se manifestar trazendo a verdade sobre o assunto.

Para lembrar, as plataformas P-71 e P-72  já estavam integralmente cortadas e prontas para serem montadas  no Estaleiro Rio Grande, da Ecovix. Precisaria de muita ingenuidade para acreditar que tenha sido normal  as vendas das plataformas de petróleo como sucata, exatamente para serem transformadas em lingotes de aço, apesar de vários módulos já estarem montados e prontos para integração. E aqui, há um detalhe grave que merece investigação a fundo: a venda repentina das partes já montadas pode prejudicar futuras investigações, já que a rastreabilidade ficaria prejudicada. Na verdade, seria o fim das provas. Esse detalhe ressalta,  até mesmo porque é pública a intervenção judicial no Grupo Engevix e seus contratos com a Petrobrás. E esses bens poderiam valer muito para pagar credores. A venda de todas as peças dará fim a rastreabilidade dos projetos errados desde o início.

O Projeto conceitual foi aprovado pelo CENPES.  O Projeto Básico da sueca  GVA foi certificado pela ABS, mas tudo sob a responsabilidade  da própria Ecovix. Há informações até de que o ex-diretor de engenharia à época, José Antônio Figueiredo, teria tentado obrigar que  alguns funcionários da Petrobrás que trabalhavam no CENPES, envolvidos nestes projetos, assinassem  documentos que não tinham responsabilidade por eles. Problemas que vieram à tona na companhia nesta atual administração, que decidiu vender os navios ainda desmontados.  O Petronotícias recebeu informações de uma fonte que revelou que em muitas ocasiões algumas pessoas que estiveram no projeto à época, tinham conhecimento dos erros que houve no projeto e discutiam o assunto dentro do CENPES, mas a força da Engevix junto a diretoria da Petrobrás naquela ocasião, teria sido preponderante para a empresa impor as ideias de  projetistas contratados por ela. No caso, a sueca GVA. Os FPSOs não tiveram controle de pesos global, o que poderia ter comprometido a estabilidade, os movimentos e a área de  estoque, com a capacidade de armazenagem do petróleo ficando aquém do que era projetado. Com isso o serviço de transbordo do petróleo teria que ser feito muito mais vezes do que se esperava, acarretando custos e prejuízos. Mesmo novos, precisariam interromper operações para manutenção com mais frequência do que os demais. Nos projetos dos replicantes a parte naval (casco) foi separada do restante (topside). O topside foi sim responsabilidade do CENPES, mas  não há nada que comprove a execução de um projeto básico naval. Pela complexidade requerida para um projeto dessa envergadura,  não se pode chamar o trabalho naval do CENPES como sendo  um projeto de  Engenharia Básica, porque  não houve microtratamento de controle de pesos,  centro de gravidade, com arranjo  mais próximo do definitivo e análise de movimentos indubitável. Os trabalhos navais realizados pelo CENPES ficaram mais para o conceitual, nunca como projeto básico de uma unidade flutuante.

O CENPES poderia  e deveria, ao que consta, ter conduzido esta etapa básica dos projetos navais, como sempre foi feito no passado. Com os problemas dos casos mal resolvidos, volta-se para o centro de pesquisa da companhia, uma  busca de “soluções milagrosas” para quem foi obrigado a ficar de fora  do projeto. Estas soluções passam, por exemplo, por equipamentos de ancoragem, já que a área projetada pelo Topside, na vista superior, era maior que a área disponível do casco, segundo apurou o Petronotícias.  Passam também pelas dificuldades em fazer aprovar critérios de estabilidade em avaria,  por conta de aumentos de pesos, diminuição de estoque de óleo. Se fossem montadas as duas plataformas, haveria problemas também com a fadiga dos risers. O projeto naval do casco poderia interferir diretamente nas questões que têm sido levantadas pela presença de H2S e CO2 no óleo, piorando os resultados. Essas informações técnicas, de passado recente, falam por si e deveriam ser suficientes para interromper o processo de sucateamento relâmpago que se impõem. Deveria ser feita uma investigação técnica minuciosa dos fatos e das mudanças impostas pelos gerenciamentos dos projetos nos últimos anos. Um engenheiro naval competente pode atestar essas informações. As razões de não se exigir responsabilidades por tamanho prejuízo para a companhia, isso sim, é surpreendente e inexplicável.

 

 

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