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Petronas troca o óleo

FONTE: REVISTA ISTO É

Com investimentos de R$ 300 milhões, a empresa malaia dobra produção de sua fábrica mineira de lubrificantes para brigar com Petrobras, Shell, Chevron e Ipiranga.

Por Rosenildo Gomes FERREIRA, de Contagem (MG)

Se estivesse disputando uma corrida de automóveis no Brasil, a divisão de lubrificantes da Petronas, petroleira estatal da Malásia com receita anual de US$ 100 bilhões, largaria no terceiro pelotão, bem distante dos líderes. Neste setor, quem ocupa as primeiras posições do grid são as veteranas Petrobras, Shell, Chevron, dona da marca Texaco, Ipiranga e Castrol (veja quadro ao final da reportagem). Juntas, elas dominam 78% da venda de óleos e fluídos para automóveis e caminhões, que movimenta anualmente US$ 3,6 bilhões no País. Com uma expressiva fatia de 8,4%, a novata Petronas começa, agora, a pisar mais forte no acelerador para tentar alcançar o pelotão da frente.

 “O foco de nosso crescimento global está no Brasil e na América Latina”, disse à DINHEIRO Amir Hamzah Azizan, CEO da Petronas Lubrificants. Em sua passagem pelo País, na semana passada, o executivo conferiu as mudanças realizadas ao longo dos últimos 12 meses. No total, estão sendo aplicados R$ 300 milhões na fábrica de Contagem (BH). A última rodada de investimentos acaba no final de 2013. Os recursos já possibilitaram dobrar a capacidade de produção e a construção de um novo centro de distribuição no local. Além disso, Azizan pode conferir onde ficará o escritório de vendas regional, em São Paulo, que concentrará os departamentos de marketing e de estratégia.

 Tudo feito com a bênção do presidente mundial, que liberou a equipe para replicar algumas das estratégias internacionais da Petronas. A principal delas é o estreitamento dos laços com as competições automobilísticas. Na temporada 2013 da Stock Car, a Petronas será a principal patrocinadora do Peugeot guiado pelo piloto Diego Nunes, da equipe RC3, que tem como sócio o ex-lateral da Seleção Brasileira, Roberto Carlos. Com isso, mais que convencer os brasileiros a trocar a marca de óleo, a petroleira da Malásia pretende se tornar uma referência em lubrificantes e fluídos automotivos. “A parceria com a Sauber e com a Mercedes-Benz, na Fórmula 1, nos garantiu visibilidade global”, afirma Azizan. “Espero que aconteça o mesmo no Brasil, com a Stock Car.”

 O responsável pela adoção de uma postura mais aguerrida por aqui é Guilherme de Paula, contratado em maio de 2012 como CEO para a América Latina. Graduado em engenharia e com especialização em gestão, de Paula vem sacudindo a empresa. Trocou os titulares de cargos estratégicos, como a diretoria de suprimentos, ocupada hoje por Rames Bichara, com passagem pela Coca-Cola e Souza Cruz. As áreas de marketing e de estratégia foram entregues a Luiz Sabatino, que já trabalhou na Shell. Trata-se do maior movimento na trajetória da Petronas por aqui. Os resultados começam a aparecer. “Crescemos 10% em 2012”, afirma De Paula. “A Selenia já é também a segunda marca de óleo mais lembrada pelos consumidores.”

Apesar do tom otimista, a Petronas cresceu menos do que o setor, que teve uma expansão de 16,1% , em 2012. O executivo brasileiro, porém, considera o resultado um avanço, pois ele se deu no nicho no qual os preços são mais caros. A Petronas, no entanto, terá de acelerar muito mais para alcançar os líderes. Afinal, as barreiras de entrada de um novo competidor no mercado brasileiro são enormes. “As empresas aspirantes não conseguem penetrar na parcela de mercado já dominada pelas grandes marcas”, diz um relatório da consultoria Datamark Market Intelligence Brazil. Como elas detêm 78% do mercado, restam apenas 22% para ser disputado. Um quadro que não parece intimidar Azizan. “Temos metas agressivas para o Brasil nos próximos cinco anos”, disse o CEO da Petronas Lubrificantes. “E possuímos todos os requisitos para alcançá-las.”

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