Petrolífera de Eike economizará R$ 280 mi ao devolver blocos

Inaugurado projeto de protótipos para o setor de óleo e gás
28/08/2013
BP, Ouro Preto, Maersk e Petra podem levar blocos deixados por OGX
28/08/2013

Petrolífera de Eike economizará R$ 280 mi ao devolver blocos

FONTE: TERRA

A petroleira OGX, de Eike Batista, economizará R$ 280 milhões com a desistência da aquisição de nove blocos dos 13 que arrematou na 11ª rodada, num momento em que enfrenta dificuldades financeiras e encontra resistência da malaia Petronas para fechar um negócio que injetaria recursos na empresa.

A OGX afirmou nesta terça-feira que desistiu dos blocos porque o momento não é de correr riscos em novas áreas exploratórias. Mas o mercado já temia a falta de recursos em caixa para a empresa pagar o bônus oferecido por cada bloco.

“Achamos difícil de acreditar que a administração da empresa não tinha conhecimento desses riscos. Avaliamos que a atual falta de liquidez e a percepção de que será difícil adquirir os blocos no curto prazo foram as razões por trás do anúncio”, afirmou o Deutsche Bank em relatório distribuído nesta terça-feira.

A companhia não realizará o pagamento e assinatura referente aos blocos BAR-M-213, BAR-M-251, BAR-M-389, CE-M-663, FZA-M-184, PN-T-113, PN-T-114, PN-T-153 e PN-T-168, áreas que arrematou sozinha no leilão da ANP.

A resistência da malaia Petronas em fechar o acordo de compra de fatia de dois blocos da OGX, num negócio de US$ 850 milhões crucial para injetar recursos no caixa da empresa de Eike, pode ter influenciado a decisão de abandonar os blocos, segundo o Deutsche Bank. “Os recursos obtidos com a venda são a principal fonte de financiamento para a OGX neste momento… Sem os recursos provenientes da venda do BM-C-39 e BM-C-40, a OGX deve ficar sem dinheiro durante o terceiro trimestre”, comentou o banco.

A Petronas, uma das maiores companhias de petróleo da Ásia, espera uma reestruturação da dívida da petroleira de Eike Batista para prosseguir com o negócio. Neste contexto, a Petronas ainda não apresentou as garantias financeiras exigidas por autoridades brasileiras para a compra de fatia de blocos da OGX, segundo disse uma fonte à Reuters. A OGX informou que vai manter os pagamentos e a assinatura dos contratos dos outros quatro blocos arrematados na 11ª rodada.

Os blocos POT-M-762 e CE-M-603 têm participação de 50 por cento da ExxonMobil, e o CE-M-661 tem participação da Total e da Queiroz Galvão. O bloco POT-M-475, que foi arrematado integralmente pela OGX em maio, também continua nos planos da empresa. Com os quatro blocos e várias outras áreas que ainda possui em seu portfólio, a OGX permanece com uma significativa quantidade de ativos. O grande problema da petroleira de Eike Batista é o elevado nível de endividamento e a falta de caixa para explorar os ativos que já possui, avaliam especialistas.

Se não tivesse devolvido os nove blocos, a OGX teria que desembolsar mais de R$ 370 milhões em bônus com todos os blocos e participações que arrematou na última rodada, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). A desistência dos blocos implicará no pagamento de R$ 3,42 milhões às autoridades federais. “A diretoria executiva concluiu não ser recomendável, no momento atual, assumir risco exploratório de novas áreas”, disse a empresa em fato relevante.

MPX
A lista de devoluções inclui quatro blocos na Bacia do Parnaíba (com sigla PN), com participações negociadas com a MPX em maio. Naquela ocasião, a petroleira acertou a venda de fatia de 50% para empresa de geração de energia nos blocos. A OGX informou, por meio da assessoria de imprensa, que o acordo com a MPX era condicionado à assinatura do contrato de concessão e que, portanto, o negócio está desfeito.

Já a MPX afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a decisão de OGX não afeta os planos de negócios da empresa, visto que ainda existem muitas áreas a serem exploradas pela companhia na Bacia do Parnaíba.

Quem ganha
A petroleiras BP, Ouro Preto, Maersk e Petra poderão ficar com blocos da 11ª que não ficarão mais com a OGX. As empresas ficaram em segundo lugar na disputa pelas áreas que a OGX levou no leilão. Pelas regras da reguladora, elas têm a opção de adquirir os blocos, confirmou nesta terça-feira a assessoria de imprensa da ANP.

A gigante BP poderá ficar com o bloco da Foz do Amazonas FZA-M-184, pelo qual ofereceu R$ 10,3 milhões. A Maersk, que ofertou R$ 35,1 milhões pelo bloco CE-M-663, agora volta a ter chance de ficar com a área. A brasileira Petra, que já possui vários blocos terrestres no país, poderá ficar com quatro blocos deixados pela OGX, todos na Bacia do Parnaíba. A brasileira Ouro Preto, do empresário Rodolfo Landim, tem as opções das áreas da Bacia de Barreirinhas, BAR-M-251 e BAR-M-389, pelas quais ofereceu R$ 1,58 milhão e R$ 7 milhões.

Compartilhe Isso:

Comentários

comments

Os comentários estão encerrados.

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com