Operação Hashtag – Conheça os suspeitos

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Operação Hashtag – Conheça os suspeitos

FONTE DEFESA NET

Foto: Vitor Magalhães e Antônio Andrade dos Santos (o primeiro à direita e primeiro à esquerda na foto acima) estão entre eles

Confira os nomes de 14 alvos da operação Hashtag. Dez foram presos na quinta-feira (21JUL2016) pela PF.

Eduardo Gonçalves

O grupo de brasileiros alvo da Operação Hashtag da Polícia Federal, que prendeu dez pessoas sob suspeita de tramar ataques terroristas durante a Olimpíada, inclui catorze nomes – alguns deles adotaram nomes árabes ou falsos para se comunicar nas redes sociais:

– Alisson Luan de Oliveira;
– Antonio Andrade dos Santos Junior (Antonio Ahmed Andrade);
– Daniel Freitas Baltazar (Caio Pereira);
– Hortencio Yoshitake (Teo Yoshi);
– Israel Pedra Mesquita;
– Leandro França de Oliveira;
– Leonid El Kadri de Melo (Abu Khalled);
– Levi Ribeiro Fernandes de Jesus (Muhammad Ali Huraia);
– Marco Mario Duarte (Zaid Duarte);
– Matheus Barbosa e Silva (Ismail Abdul-Jabbar Al-Brazili);
– Mohamad Mounir Zakaria (Zakaria Mounir);
– Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo (Ali Lundi);
– Valdir Pereira da Rocha (Valdir Mahmoud) e,
– Vitor Barbosa Magalhães (Vitor Abdullah).
Da lista, dois suspeitos foram conduzidos coercitivamente para depor e outros dois estão foragidos. El Kadri e Pereira da Rocha já foram condenados por homicídio.

Levantamento de VEJA publicado nesta semana revela que 32 brasileiros juraram fidelidade ao Estado Islâmico. Pelo menos quatro deles, incluindo Vitor Magalhães e Antônio Andrade dos Santos (o último à direita e o primeiro à esquerda) estão entre os investigados pela Operação Hashtag.

Suspeitos:

Mohamad Mounir Zakaria é brasileiro e dono de cinco empresas de confecção na região do Brás, bairro onde mora em São Paulo. As confecções de Zakaria, a exemplo da Raio Jeans Confecções, ficam na Rua Barão de Ladário. Ele também trabalhou na Rua Oriente, um dos principais pontos de venda do Brás, e é o 2º diretor de patrimônio da Liga da Juventude Islâmica Beneficente do Brasil, cuja mesquita fica no Pari, bairro próximo do Brás na capital paulista.

O sul-matogrossense Leonid El Kadri é mecânico em uma agropecuária em Campos de Júlio (MT), cidade onde vive. Ele já cumpriu pena de 18 anos e oito meses de prisão por homicídio e roubo qualificados. Durante o período em que esteve preso em Araguaína (TO), El Kadri chegou a fugir da prisão e se apresentou em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). No mesmo processo foi condenado  Valdir Pereira da Rocha. Atualmente divorciado, El Kadri estudou em uma escola evangélica, participou de um grupo escoteiro no Tocantins entre 1989 e 2000 e cursa engenharia mecânica na Faculdade Anhanguera.

Zaid Mohammad Abdul-Rahman Duarte nasceu Marcos Mário Duarte em maio de 1974 na cidade maranhense de Ilha de São Luis do Maranhão. Convertido ao islamismo há treze anos, ele vive em Amparo (SP) e se declara idealizador, fundador, vice-presidente e Emir da Sociedade Islâmica do Maranhão.

Ele assina um blog chamado Islam Maranhão, cuja imagem principal diz, em inglês: “você está entrando em uma zona controlada pela Sharia. Regras islâmicas aplicadas”. A Sharia é o conjunto de leis que rege o islamismo.

Em postagens no blog, Zaid Duarte publica textos de apologia ao Estado Islâmico e ao anti-americanismo. “Eu não sou o primeiro nem o único nem o último muçulmano vivendo num país ocidental vítima de todo tipo de má sorte imposta pela propaganda guerreirista que a mídia sensacionalista pró-guerra sangrenta americana vem travando contra a religião de Allah”, escreveu Zaid Duarte em uma postagem em novembro de 2015.

Investigação – A Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal monitorou mensagens trocadas pelos brasileiros em redes sociais, especialmente via Telegram e Whatsapp, e detectou conversas em que eles demonstravam apoio aos últimos atentados do Estado Islâmico e faziam referências a uma tentativa de compra de uma arma no Paraguai.

Um dos investigados entrou em contato, por e-mail, com um fornecedor de armas clandestinas naquele país, solicitando a compra de um fuzil AK-47. A PF não sabe se o grupo tinha apoio financeiro externo. “Houve pedido do líder [do grupo] para que começassem a pensar uma forma de financiamento, mas não houve [o financiamento em si]”, relatou o ministro.

Nas conversas monitoradas com autorização judicial, os suspeitos, que em parte utilizavam nomes fictícios para se identificarem, também discutiam táticas de guerrilha e propagavam intolerância racial, de gênero e religiosa. Pelo menos um menor de idade participava das conversas, enquanto dois dos brasileiros investigados já haviam sido condenados por homicídio. Foram interceptadas mensagens de comemoração pelas execuções feitas pelo grupo extremista no Oriente Médio e pelos recentes massacres em Orlando e em Nice.

As prisões e buscas na Operação Hashtag foram realizadas no Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Uma ONG com atuação na área humanitária também é investigada por evidências de que fez palestras que incitavam o público a favor do Estado Islâmico. O presidente da instituição foi levado coercitivamente para prestar esclarecimentos.

O recrutamento do grupo preso nesta quinta-feira foi feito via internet, prática habitual do Estado Islâmico. Não houve contato direto do grupo de brasileiros com terroristas do grupo, embora um deles tenha informado nas mensagens trocadas que estaria disposto a viajar ao exterior para se encontrar com líderes extremistas.

Facebook liberou dados de investigados por terrorismo

Rede social abriu para a Justiça chats e comunidades secretas utilizadas pelos alvos da Operação Hashtag

Por Eduardo Gonçalves

O juiz Marcos Josegrei, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba, afirmou nesta quinta-feira que o Facebook abriu todos os dados dos suspeitos de tramar um atentado durante a Olimpíada quando a empresa foi informada de que a investigação apurava suposta prática de terrorismo.

De acordo com o magistrado, a rede liberou acesso a informações de comunidades e chats secretos. “Eles abriram geral. Colaboraram bastante”, afirmou. Josegrei foi o responsável por decretar a prisão de doze investigados.

A postura da rede social condiz com a política global adotada pelo Facebook em relação ao terrorismo: a empresa costuma alertar as autoridades dos países quando detecta conteúdo terrorista em chats ou páginas. Procurado, o Facebook informou que não pode se posicionar sobre um caso específico.

Sobre as conversas capturadas via WhatsApp, contudo, o magistrado não deu mais detalhes. A empresa não repassa conteúdos de mensagens à Justiça porque alega que seu sistema de criptografia impede que o próprio aplicativo tenha acesso às conversas.

Confira a seguir a nota do Facebook sobre a questão:

“Temos tolerância zero com terrorismo no Facebook. Removemos contas de terroristas e conteúdos que promovam terrorismo assim que tomamos ciência sobre esse tipo de material. Se identificarmos perfis ou material com teor terrorista, também buscamos contas ou conteúdos relacionados e os removemos da plataforma. Se detectarmos evidências de ameaça de dano iminente ou ataque terrorista, nós acionamos as autoridades para a aplicação da lei” 

 

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