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Noruegueses repensam indústria petrolífera

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

NICHOLAS KULISH e HENRIK PRYSER LIBELL
DO “NEW YORK TIMES”

AUSTRHEIM, Noruega – O petróleo e o gás converteram a Noruega em um dos países mais avançados e prósperos do mundo em apenas algumas décadas. Porém, o cerco mortal na Argélia desencadeou um debate no país sobre até onde devem ir suas empresas petrolíferas e seus técnicos especializados na busca por recursos e lucros.

A gigante energética Statoil confirmou a morte de quatro dos cinco funcionários da empresa que estavam desaparecidos desde que militantes islamitas atacaram uma instalação de gás em In Amenas, perto da fronteira com a Líbia, em janeiro.

Essa região norueguesa esparsamente povoada pode parecer que tem pouco em comum com o árido Saara. Mas a chama de gás queimando à distância na refinaria de Mongstad, a maior da Noruega, traz à mente a razão pela qual quatro pessoas dessa região estavam entre os 17 funcionários da Statoil presentes na usina argelina quando ela foi alvo de uma emboscada.

Desde que a Phillips Petroleum encontrou óleo no campo de Ekofisk, no mar do Norte, em 1969, cada vez mais noruegueses desta região costeira vêm rejeitando profissões tradicionais, como as de pescador ou marinheiro, para se tornarem os mecânicos e os engenheiros que movem o setor petrolífero -não apenas na Noruega, mas em locais que vão do golfo do México à Nigéria.

Kyrre Lien/The New York Times
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A refinaria de Mongstad; a indústria petrolífera levou prosperidade a Austrheim, na Noruega

O prefeito de Austrheim, Per Leroy, 55, entende quanto o setor petrolífero significa para a região. “Cem anos atrás, a área ao norte de Bergen era uma das mais pobres da Europa”, disse. “Hoje é uma das mais ricas.”

Enquanto muitos países europeus estão arcados sob o peso de dívidas crescentes, a Noruega, graças às suas reservas petrolíferas, possui um fundo soberano com estimados US$ 700 bilhões para proteger seu futuro. Os noruegueses têm expectativa de vida acima da média, respiram ar mais limpo e estão mais satisfeitos do que os habitantes da maioria dos países industrializados, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.

Mas profissionais que levam seus conhecimentos especializados das plataformas petrolíferas do mar do Norte para projetos em países instáveis ficam expostos a novos riscos, realidade que foi destacada com o ataque de militantes contra In Amenas, que atraiu um poderoso contra-ataque das Forças Armadas argelinas. No final, pelo menos 37 reféns estrangeiros foram mortos.

“Você não é simplesmente alguém que viaja a serviço do setor petrolífero -às vezes você viaja numa zona de guerra invisível”, explicou Tom Hella, 35, operador de uma perfuradora. Sua profissão já o levou de Angola ao Azerbaijão. Depois do que aconteceu na Argélia, disse ele, “a patroa disse que acabou”. “Depois disto, ela não vai mais me deixar viajar.”

Essa mesma conversa, em escala maior, está tendo lugar em toda a sociedade norueguesa. O historiador e pesquisador petrolífero Helge Ryggvik disse ao jornal “Dagsavisen” que as petrolíferas norueguesas deveriam sair dos países de alto risco. Mesmo que elas estejam dispostas a se arriscar, o aumento dos custos de segurança para poder atuar podem afastar as empresas preocupadas com a segurança.

Austrheim, com apenas 2.850 habitantes, é o lugar de origem de dois dos petroleiros que tiveram morte confirmada. Graças ao setor petrolífero, o índice de desemprego no município não chega a 2%, em média.

Políticos e líderes empresariais vêm adotando uma postura intransigente, dizendo que não serão intimidados por atos de violência. Para Helge Kristoffersen, diretor e gerente da empresa de recrutamento Mosaique, as vagas de trabalho bem pagas e interessantes vão continuar a atrair candidatos. “Durante algum tempo, alguns podem evitar ser enviados a países de alto risco, mas temos memória curta”, disse ele.

Colaborou Cris Cottrell

 

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