Multa por vazamento de óleo no Brasil é quase 3 vezes menor do que em acidente nos EUA; compare os casos Petroleira pagou o equivalente a R$ 140 mi aos EUA, o triplo do valor da multa do país

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Multa por vazamento de óleo no Brasil é quase 3 vezes menor do que em acidente nos EUA; compare os casos Petroleira pagou o equivalente a R$ 140 mi aos EUA, o triplo do valor da multa do país

Assim como o secretário estadual do Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc, as autoridades americanas também questionaram o valor da multa, que estaria defasado diante dos danos ambientais causados pelo acidente.

Nos EUA, a British Petroleum ainda aceitou pagar US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 37 bilhões, para formar um fundo independente que custeia os estragos reivindicados pela população e empresários atingidos pelo vazamento.

No Brasil, as multas contra a Chevron podem chegar a R$ 260 milhões, se forem cobradas as autuações do governo do Estado do Rio e da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

As comparações entre o vazamento na bacia de Campos e a catástrofe no golfo do México não se restringem ao valor da multa. Embora os estragos tenham sido bem graves naquele que foi considerado o maior desastre ambiental dos EUA, especialistas ouvidos pelo R7 compararam os dois episódios.

Causas do acidente

Falhas de cálculo da Chevron causaram a abertura de fendas por onde vaza o óleo na bacia de Campos. Detectada a uma profundidade de 1.200 m, as fissuras já despejaram mais de 380 mil litros de petróleo.

Segundo o professor do Departamento de Minas e Petróleo da USP (Universidade de São Paulo) Ricardo Azevedo, esse tipo de acidente pode ser muito difícil de prever.

– O óleo vazou por fendas na rocha que teriam sido causadas pela perfuração do poço. O fato é que a rocha não é um material homogêneo, como aço. Ela pode mudar suas características de um ponto para outro e, inclusive, já ter falhas ou fendas anteriores, que poderiam ter se agravado com a perfuração.

Em 20 de abril de 2010, um poço de petróleo explodiu a 1.500 m abaixo do nível do mar, causando a morte de 11 operários da plataforma da British Petroleum no Golfo do México. Uma das empresas responsabilizadas pela tragédia nos Estados Unidos, a Transocean, também atuava em parceria com a Chevron no campo de Frade.

Azevedo explica que o problema que resultou no acidente ocorreu durante a fase de fechamento do poço.

– Lá [nos Estados Unidos], o vazamento foi diretamente pelo poço e se deveu a uma série de falhas sucessivas, onde o ponto central foram falhas na cimentação do poço.

Contenção do vazamento

Nomeado perito pela Polícia Federal, que abriu um inquérito para investigar o acidente na bacia de Campos, o oceanógrafo da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) David Zee destaca que as ações tomadas pela Chevron após o vazamento surtiram pouco efeito. 

– Deveria ter sido retirado grande parte desse óleo e isso não aconteceu. Não foi nem a empresa que descobriu o vazamento, foi a Petrobras. Ou seja, não atendeu ao primeiro quesito do PEI [Plano de Emergência Individual], que é a capacidade de detectar um vazamento. Também não vimos barreiras de contenção, nem um barco que retirasse uma quantidade significativa de óleo.

A British Petroleum demorou mais de seis meses para dispersar a mancha de 2.500 Km² de petróleo que atingiu o litoral de quatro Estados americanos. Lá, foram usadas barreiras flutuantes de contenção, jatos d’água para distanciar a mancha e queima do óleo recolhido.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura e mestre em Planejamento Energético pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Adriano Pires, ressalta que as duas petroleiras demoraram a recolher o óleo que vazou na bacia de Campos e no Golfo do México.

– O que se verificou, tanto naquele megavazamento nos Estados Unidos, como nesse aqui no Brasil, embora seja de proporção muito menor, é que, na hora que vaza, há uma grande dificuldade em conter de maneira rápida e muito demora em coletar o óleo que vazou.

Danos ambientais

No episódio no golfo do México, os danos ao meio ambiente foram enormes, o que prejudicou a fauna e a flora da região. Imagens de animais cobertos de óleo agonizando na beira das praias americanas chocaram o mundo inteiro. Os pescadores dos Estados do Texas, Louisiana e Mississipi ficaram temporadas inteiras sem trabalhar.

No Brasil, ainda é muito cedo para dimensionar os danos causados pelo vazamento de petróleo em Campos. De acordo com o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Curt Trennepohl, o óleo dificilmente chegará às praias do Rio.

Porém, o oceanógrafo David Zee alerta que o derramamento pode prejudicar mais de 20 espécies de animais, entre baleias, golfinhos e aves que usam a bacia de Campos como caminho migratório.

– Os animais precisam vir à tona para respirar e podem ingerir esse óleo. O contato com a pele também pode interferir no isolamento térmico deles e afetar os filhotes, que têm ainda menos proteção.

Carlyle Jr. e Mariana Costa, do R7 | 27/11/2011 às 11h25

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