MPX analisa ativos de gás da OGX

Bolívia sinaliza pressa para negociar gás com o Brasil
23/08/2013
Após assembleia, petroleiros vão aderir à greve do dia 30
23/08/2013

MPX analisa ativos de gás da OGX

FONTE: GASNET

A alemã E.ON, que tem cerca de 38% da MPX e divide o controle com o empresário Eike Batista, encomendou a avaliação das áreas da OGX produtoras de gás na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, segundo duas fontes do Valor. A avaliação das reservas no Paranaíba está sendo feita pela Gaffney, Cline & Associates.

A MPX já tem 33,3% da OGX Maranhão, empresa criada em 2010 da qual a OGX S.A. tem 66,7%. A OGX Maranhão tem 70% de sete blocos adquiridos da Petra Energia, que permanece sócia das áreas com 30%. Procuradas, as duas empresas não responderam.

A venda de ativos de exploração e produção é parte do enorme esforço da petroleira de Eike Batista para fazer caixa. A empresa está sob a pressão de credores no momento em que desenha uma reestruturação da dívida em Nova York, enquanto tenta atrair parceiros para os blocos adquiridos na 11a Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Pelas regras do leilão, quem não honrar os compromissos paga multas e corre o risco de ser suspensa de futuras licitações da agência reguladora. Nesse caso, os blocos que tiveram oferta vencedora são oferecidos para as empresas que deram os lances seguintes, se houver. Mas nesse caso, as segundas colocadas terão de aceitar pagar o valor do lance vencedor se quiserem ficar com as áreas. No caso dos blocos da OGX, os valores são milionários. Além de não se saber se ela terá fôlego financeiro para efetivar as ofertas, ainda é cedo para dizer quem ficará com esses blocos, que em úlitmo caso ficam com a União.

Até o momento, o que se sabe é que a OGX não pagou todos os bônus relativos à sua participação no leilão, onde se associou em duas áreas com a ExxonMobil, e uma outra com a Total e a Queiroz Galvão.  Somente para os dez blocos que adquiriu sozinha, ela terá que pagar R$ 300 milhões em bônus de assinatura. Sua parte nas três parcerias é de R$ 76 milhões.

Nas áreas onde entrou sozinha, dois blocos podem ser oferecidos à Ouro Preto Óleo e Gás (operadora com 40%), associada à canadense Pacific Rubiales (60%). O problema aí pode estar no preço. O consórcio terá que desembolsar  R$ 80 milhões pelo bloco BAR-M-389, na bacia de Barreirinhas, um valor 1.033% acima da sua oferta, de R$ 7 milhões. No bloco BAR-M-251, na mesma bacia, o consórcio da Ouro Preto terá de pagar R$ 40 milhões, 2.417% além da proposta original, de R$ 1,588 milhão.

Para efeito de comparação, se for considerada apenas a participação da Ouro Preto, o valor a ser pago, no caso de ficar com as áreas, é de R$ 48 milhões, o que representa mais de três vezes o valor que ela pagou por outros três blocos arrematados no leilão. Procurado pelo Valor , o presidente da empresa, Rodolfo Landim, disse que não iria “comentar sob hipóteses”.

Outros quatro blocos da OGX podem ficar com a brasileira Petra, que teria de pagar R$ 20 milhões ao invés dos R$ 13,8 milhões oferecidos no leilão pelas áreasemterra no Parnaíba. Procurada, a Petra informou apenas que “vai estudar cada situação, se acontecer”.

A BP teria de pagar R$ 30 milhões pelo bloco FZA-M-184, na bacia do Foz do Amazonas, quando sua proposta foi de apenas R$ 10,3 milhões. Existe ainda um bloco que pode ser oferecido para o consórcio formado pela dinamarquesa Maersk e a colombiana Ecopetrol. Trata-se do CE-M-663, na bacia do Ceará, pelo qual a OGX ofereceu R$ 70 milhões, praticamente o dobro dos R$ 35,1 milhões oferecidos pelo consórcio multinacional.

A OGX teve prejuízo de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre. Se contabilizados apenas os R$ 300 milhões que terá de pagar sozinha, o valor representa mais de 40% do caixa da empresa no segundo trimestre, que era de R$ 721,7 milhões. Esse valor também é pouco inferior ao montante da dívida com vencimento em curto prazo da petroleira, de R$ 739 milhões.

Logo após o leilão, a companhia firmou um acordo com a coligada MPX para a transferência de 50% dos quatro blocos terrestres, na bacia do Parnaíba, adquiridos na 11a Rodada. A ANP, no entanto, não autoriza qualquer operação de transferência de participação antes da assinatura dos contratos de concessão. E a assinatura depende do pagamento dos bônus.

No início do mês, o diretor-geral da Total no Brasil, Dennis Palluat de Besset, afirmou que a OGX pagou a parte dela de bônus relativo ao bloco CE-M-661, arrematado em parceria com a Queiroz Galvão na bacia do Ceará. Não se sabe se a petroleira de Eike Batista pagou a sua parcela referente aos bônus das duas áreas vencidas em parceria com a ExxonMobil, mas no mercado comenta- se que a estrangeira deve ficar sozinha nessas áreas. Como a petroleira americana é a operadora das duas áreas, é ela a responsável por fazer o depósito.

De acordo com informações da agência, se uma empresa não pagar sua fatia nos bônus de assinatura dentro de um consórcio, os demais sócios podem negociar um aumento de participação na sociedade, assumindo a parte dela. Se os sócios não chegarem a um acordo ou não quiserem adquirir essa participação adicional, o bloco também é repassado para o segundo colocado, caso ele aceite bancar a proposta vencedora.

Procurada, a OGX não quis se manifestar sobre o assunto. A ANP informou que só se pronuncia sobre os contratos que já foram assinados. Diante de tantas dificuldades, foi de grande ajuda a decisão do regulador de adiar para o dia 30 de agosto o prazo para a entrega das garantias do Programa Exploratório Mínimo (PEM) e pagamento do bônus de assinatura; e para o dia 17 de setembro a assinatura dos contratos de concessão. Empresas que ainda negociam parcerias, como é o caso da OGX e de outras (inclusive a Petra), ganharam mais tempo.

Segundo a ANP, o prazo foi estendido porque algumas empresas precisaram substituir o seguro garantia relativo aos investimentos prometidos no PEM devido a alteração do Anexo XVI do edital, que foi adaptado a novas regras da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A ANP aceitou que a OGX desse como garantias do PEM a produção futura no campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos.

Compartilhe Isso:

Comentários

comments

Os comentários estão encerrados.

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com