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Importação de profissionais iberos dobrou no 1º semestre

FONTE: ABINEE

Sem o alarde dispensado aos médicos cubanos, 2.927 profissionais de Portugal e Espanha ingressaram no mercado de trabalho brasileiro no primeiro semestre deste ano — a maioria deles, engenheiros, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego. Os três países retomaram, no período de janeiro a junho, de crise econômica prolongada, relações de trabalho históricas. Faltam vagas de emprego na Europa. Sobram projetos de construção, sobretudo em infraestrutura, no Brasil. O resultado é a transferência ascendente de profissionais portugueses e espanhóis para atuar em áreas de franco crescimento em todo o território nacional, especialmente, nos setores de petróleo e gás, em mineração e tecnologia da informação. A oferta de mão de obra para essas áreas é mais escassa no mercado interno, admite o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

No caso de Portugal, o crescimento da migração respondeu a uma facilitação do governo brasileiro, que firmou acordo para validar diplomas de engenheiros portugueses nas universidades federais brasileiras. O balanço dos efeitos da parceria está sendo contabilizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andefis) para ser apresentado nos próximos dias ao Ministério da Educação. Mas, ainda que sem os números finalizados, a percepção da Andefis é de crescimento da validação de diplomas portugueses desde março de 2013, data da assinatura do acordo. E, diante do resultado tido positivo, a intenção é expandir o número de universidades dos dois países no programa.

“De fato, em Portugal, está complicado conseguir emprego em função da crise. Já recebi propostas de ir para Belo Horizonte e Tocantins para ganhar muito mais, mas não pretendo sair do Rio de Janeiro”, conta André Seixas, engenheiro português, que atualmente trabalha na concessionária de saneamento Águas de Niterói.

A explosão de mão de obra estrangeira no primeiro semestre deste ano foi prioritariamente ibérica, como demonstram as estatísticas do Ministério. No total, o número de profissionais de fora que receberam autorização para trabalhar no Brasil caiu, comparando os meses de janeiro a junho deste ano com igual período de 2012, passando de 30.305 para 29.486.

Portugal e Espanha estão na contramão da rota da média das nações. A migração dos dois países quase dobrou no mesmo intervalo de tempo. A quantidade de portugueses que ingressaram no mercado de trabalho nacional passou de 809 para 1.474. E a de espanhóis, de 768 para 1.453.

“Já queria vir para o Brasil, quando recebi uma proposta interessante da minha empresa, que é espanhola, com sede em Barcelona. Lá, o mercado não tem demanda. É mais difícil se encaixar. E o mercado aqui está muito melhor”, argumenta o engenheiro civil espanhol Resmundo Conti, funcionário da 4G Barcelona Arquitetura.

Na visão do Ministério do Trabalho, a migração de engenheiros dos dois países reflete um fenômeno puramente econômico, consequência do aumento de pedidos de empresas ibéricas para importar profissionais das suas matrizes. “Mais de 90% vêm como temporários, para agregar valor ao trabalho brasileiro. Vêm com contrato de trabalho, para contribuir com a transferência de tecnologia à economia nacional”, afirma o coordenador-geral de Imigração do Ministério do Trabalho, Aldo Cândido.

A prioridade do governo brasileiro, diz ele, continua sendo a proteção à mão de obra interna. “Mas, evidente, que tem situações em que é necessário o profissional de outros países”, complementa. Grande parte dos estrangeiros permanece no Brasil por dois anos, tempo de validade da autorização de trabalho para graduados, segundo o Ministério. Nada impede, contudo, que a empresa contratante renove o pedido de permanência do profissional e que o empregado estrangeiro continue atuando no mercado de trabalho local por mais tempo.

O Confea nega que o mercado de engenharia brasileiro sofra de carência de mão de obra. “Apesar de todos os investimentos em infraestrutura – na expectativa da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 -, o crescimento de certa forma discreto do PIB brasileiro não confirma a previsão de expansão sinalizada há dois anos. Com o desenvolvimento da economia abaixo da taxa potencial, a demanda (por engenheiros) está equilibrada, nos dias atuais, diferentemente do cenário apontado no ano passado”, informou a Confederação, em nota oficial, enviada pela assessoria de imprensa.

A avaliação é que os cenários de oferta de vagas para engenheiros divergem nos diferentes estados. “O Brasil tem situações muito diferentes nas suas diversas regiões, tem necessidades diferentes e soluções diferentes”, afirma o Confea.

A migração ibérica está, realmente, espalhada por vários estados. Embora a maioria dos espanhóis e portugueses tenha o Rio de Janeiro e São Paulo como destino, há profissionais do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Pernambuco é especialmente caro aos portugueses, e a Bahia, aos espanhóis.

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