Governo argentino ratifica acordo com Chevron apesar de protestos populares

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Governo argentino ratifica acordo com Chevron apesar de protestos populares

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Multinacional responsável por desastres ambientais no Brasil e Equador vai explorar petróleo e gás em Neuquén, no sul do país. Manifestantes contrários ao acordo são baleados

por Jamila Venturini, especial para a RBA

Amazon Watch/Efe

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Operação de recuperação ambiental em área degrada por exploração da Chevron, no Equador. Empresa agora vai à Argentina

Buenos Aires – O governo de Cristina Fernández de Kirchner deu esta semana passos grandes em seu acordo com a petrolífera norte-americana Chevron, a despeito dos protestos sociais contra a empresa, responsável por seguidas violações ambientais de larga escala.

A sexta-feira (30) representou o fechamento simbólico de uma semana marcada por uma série de medidas voltadas a uma parceria energética temida pela população das províncias que vão receber os investimentos da companhia, condenada por ter provocado, na Amazônia equatoriana, um dos “maiores desastres ambientais do século 20”, e agora totalmente respaldada pelo governo de Cristina.

Deputados da província de Neuquén, no sul da Argentina, votaram na última quarta-feira (28) um projeto de lei que ratifica, em âmbito local, a autorização do governo nacional para a atuação da Chevron na região. Além do governo federal, o aliado peronista local, o governador Jorge Sapag, dá respaldo para realizar a exploração de petróleo e gás não convencionais através da técnica conhecida como fracking ou fraturação hidráulica.

Enquanto, dentro da Assembleia Legislativa de Neuquén, os deputados estaduais autorizavam os trabalhos da empresa, do lado de fora uma manifestação que reuniu sindicatos, estudantes, povos indígenas e diversos movimentos sociais foi duramente reprimida pela polícia. Entre os milhares de manifestantes, diversos ficaram feridos, alguns atingidos por balas de chumbo. Parlamentares da oposição pediram o cancelamento da votação. Ignorados pela maioria, que pretendia prosseguir normalmente com a sessão, se retiraram.

Raul Godoy, membro do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) e trabalhador da fábrica recuperada Zanon, chamou atenção para o fato de que os setores que defendiam o acordo sofreram uma importante derrota nas eleições primárias legislativas que ocorreram no último dia 11 de agosto em todo o país. “Militarizam a Assembleia porque não têm razão em seus argumentos”, denunciou. Na quinta (29), dia seguinte à votação, milhares de pessoas marcharam novamente na capital neuquina em repúdio à violência policial contra os manifestantes que se opunham ao acordo entre Chevron e o Estado argentino – através da empresa petroleira estatal YPF.

O contrato milionário faz com que a multinacional passe a controlar a exploração de combustível da terceira maior reserva de gás não convencional do mundo. Segundo especialistas, a descoberta de novos depósitos petrolíferos e gasíferos no país pode fazer com que a Argentina se torne um potencial exportador de energia nos próximos anos. Por outro lado, cada vez mais movimentos sociais e ambientais se mobilizam contra o avanço da fronteira extrativista no país e da utilização da técnica conhecida como fraturação hidráulica, ou fracking, para a extração dos combustíveis não convencionais.

Durante cerimônia na sexta-feira em Buenos Aires, ao lado de Sapag, o ministro da Planificação Nacional, Júlio de Vido, afirmou se tratar de um marco fundamental para que o país alcance soberania energética e que “somos os argentinos os que dizemos quais são os preços dos combustíveis e que políticas devemos levar adiante” para garantir o autoabastecimento, o “grande desafio que temos adiante para sustentar e aprofundar o crescimento da indústria nacional”.

A fraturação hidráulica se baseia na injeção de fluídos a alta pressão para produzir pequenas fraturas nas rochas profundas que armazenam petróleo e gás natural não convencionais, permitindo assim a sua extração. Desde a sua difusão pelo mundo, a técnica tem gerado constantes denúncias de contaminação ambiental. Países como França e Bulgária e algumas regiões dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, África do Sul e Suíça já proibiram essa técnica em seus territórios devido à falta de garantias de que se trata de  uma prática segura.

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