EX-PRESIDENTE DA PETROBRÁS CRITICA ATUAÇÃO DA ATUAL DIRETORIA E DIZ QUE O PETRÓLEO TERÁ PAPEL CENTRAL POR ANOS

Amazônia: programa Arpa completa 15 anos
07/08/2017
Porto de Paranaguá embarca volume histórico de soja
07/08/2017

EX-PRESIDENTE DA PETROBRÁS CRITICA ATUAÇÃO DA ATUAL DIRETORIA E DIZ QUE O PETRÓLEO TERÁ PAPEL CENTRAL POR ANOS

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 07 de agosto de 2017

O ex-presidente da Petrobrás e professor da Universidade Federal da Bahia, José Gabrielli,  reapareceu em cena durante o Congresso da Federação Única dos Petroleiros, depois do turbilhão que ainda está cruzando desde o início da Operação Lava Jato, para mostrar sua opinião sobre o atual mercado de petróleo no Brasil.

Nada foi provado contra ele, até o momento. E pelo andar das investigações, nada indica que ele seja envolvido nas denúncias.  Para ele, o setor petróleo no Brasil está passando por mudanças em três grandes áreas: na exploração e produção, na política de gás natural e no refino e abastecimento. Em todos os casos há redução do controle do estado brasileiro e abertura para empresas estrangeiras.

Na área de exploração e produção, segundo ele, a política do governo está levando o país a se tornar apenas um exportador de óleo cru, sem conexão com o refino e o abastecimento interno. Isso levará a uma aceleração da realização dos leilões de áreas do petróleo, incluindo o pré-sal. Outro impacto é “o abandono ou relaxamento total na política de conteúdo nacional” – que na história recente fomentou a indústria nacional em vários setores, especialmente o naval.

Sobre o gás natural, o movimento do governo e da atual gestão da Petrobrás, de acordo com Gabrielli, é de retirada da companhia do papel central na distribuição. Antes a companhia era dona de toda a cadeia, agora está saindo do setor para abrir espaço para empresas estrangeiras.
As mudanças no refino e abastecimento também estão se dando no sentido da redução do papel da Petrobrás. Segundo o ex-presidente da empresa, há hoje um estímulo para que a companhia se atenha à condição de exportadora de óleo cru. O discurso que sustenta o conjunto de mudanças do governo é o de que “ o petróleo tende a deixar de ser importante como elemento estratégico, tornando-se um produto como qualquer outro, uma commoditie,  como feijão ou arroz”.  diz Gabrielli. A tese seria a de que, por exemplo, os carros elétricos tomarão o lugar dos carros movidos pelos combustíveis tradicionais.

De acordo com o ex-presidente da empresa, no entanto, foram produzidos até hoje 1,5 milhão de carros elétricos, frente a uma frota de 2,6 bilhões de veículos movidos a combustíveis fósseis. “Por mais revolucionária que seja [a expansão do carro elétrico], o impacto vai demorar muito, pelo menos 40 ou 50 anos, para ocorrer”, afirma Gabrielli.

Ele também cita como exemplo o papel atual do petróleo como combustível na área do transporte de cargas em todos os modais, respondendo por 95%. E como matriz energética geral, para todas as atividades humanas, o petróleo responde por algo em torno de 34% a 35%, com previsão de redução para 31% nos próximos 50 anos, mas ainda assim com um papel muito relevante, o que continuará a garantir o seu papel estratégico. “O petróleo não é igualmente distribuído no mundo. A disputa pelas reservas é um elemento central na geopolítica mundial. Todos os conflitos mundiais atuais tem a ver com o acesso ao petróleo”.

 

 

Compartilhe Isso:

Comentários

comments

Deixe uma resposta

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com