ESTALEIROS SEM OBRAS EM RIO GRANDE CAUSAM CRISE PROFUNDA NAS CIDADES DE SEU ENTORNO

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ESTALEIROS SEM OBRAS EM RIO GRANDE CAUSAM CRISE PROFUNDA NAS CIDADES DE SEU ENTORNO

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 12 de março de 2018

Dá pena de ver como estão os Estaleiros de Rio Grande e São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Parecem quase cidades fantasmas. A região que já abraçou  quase 30 mil funcionários no polo naval, hoje está às moscas. O impacto nas economias das cidades do entorno tiveram um impacto  profundo.  

As populações das cidades da região  locais estão quase a míngua.  Homens, mulheres, chefes de família, em busca de qualquer emprego, qualquer trabalho. Há um bolo de dívidas com o comércio e com as pequenas e médias empresas que fecharam, também por não receberem dos estaleiros em crise. Aumentaram os níveis de violência, com muitos assaltos.  O QGI ainda trabalha na montagem de módulos para plataformas. Nos próximos meses, há apenas a expectativa em torno da chegada ao estaleiro da QGI dos cascos das plataformas P-75 e P-77, vindos da China. Mesmo assim sem novas perspectivas de contratos futuros e com o pessoal já bem reduzido. O trabalho de finalização de cada uma das plataformas deverá durar de um a dois meses – e não estão previstas contratações.  O Estaleiro Rio Grande, da Ecovix, tem o seu pátio tomado por montanhas de peças de aço que seriam montadas e se transformariam nas plataformas P-71 e P-72. O governo do Presidente Temer, através de seu Ministro Fernando Coelho Filho, e do Presidente da Petrobrás, Pedro Parente, já anunciaram em outubro do ano passado que a empresa não montaria as duas plataformas e  venderia tudo o que já tinha sido feito como sucata. Insensíveis ao sofrimento de milhares de pessoas, de famílias em desespero, a companhia mandou fazer as duas plataformas na China, com a integração dos módulos, provavelmente, endereçada para algum estaleiro do Espírito Santo.

Em frente ao estaleiro Rio Grande, da Ecovix, sobram vagas no estacionamento e paradas de ônibus sem passageiros. Na área interna, poucos funcionários circulam entre as toneladas de aço que resultam de projetos paralisados. A menos de 10 quilômetros, no complexo da QGI, também em Rio Grande apenas dois micro-ônibus aguardam parte dos empregados que deixam a unidade ao entardecer.  Do outro lado da Lagoa dos Patos, situação semelhante. No EBR, o abandono.  A onda de demissões bateu com maior força na região a partir de 2014. O vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande , Danilo Giroldo, diz que a situação é um mau uso do dinheiro público: “ Metade do casco está pronta em Rio Grande. Por isso, entendemos que a decisão de fabricar a P-71 na China é mau uso de recursos públicos.”  Uma das apostas está  nas articulações que estão sendo feitas  para trazer obras como reparos de cascos e conclusão de plataformas, que, embora devam exigir menos mão de obra do que no auge da indústria naval, poderiam impedir o sucateamento dos estaleiros.

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