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Conselho de Cooperação do Golfo inicia cúpula numa região em transformação

Desde a última cúpula do grupo, o Iêmen, seu vizinho mais próximo, caiu devido a uma revolta contra o regime e a “Primavera Árabe” acabou para sempre com os autocratas tunisiano, egípcio e líbio, e ameaça fazer o mesmo com o sírio.

O efeito dominó das revoltas atingiu dois membros do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo): o pequeno arquipélago do Bahrein, povoado por uma maioria xiita, mas governado por uma dinastia sunita, e o tranquilo sultanato de Omã, onde explodiram protestos sociais.

“Muitas questões regionais se impõem na cúpula deste ano”, afirmou à AFP o ministro omanita das Relações Exteriores, Yussef benAlauiAbdalá.

O ministrou citou, em particular, a situação no Iêmen e na Síria e as relações com o Irã, suspeito de atiçar secretamente a tensão no Bahrein e tentar mobilizar a minoria xiita da Arábia Sautia contra a monarquia sunita.

Mas é a retirada das tropas americanas do Iraque, após nove anos, que inquieta sobretudo as monarquias árabes, já que pode fazer com que se reforce a influência iraniana nesta região estratégica.

“Acredito que as interferências do Irã nos assuntos de Síria, Iraque e Bahrein estarão na agenda de conversações dos seis dirigentes”, afirmou KhaledalDajil, professor de sociologia política da Universidade IbnSaud de Riad.

“Também serão avaliados dois temas sensíveis, o do Iêmen e o da Síria, já que o que acontece interessa diretamente aos países do Conselho”, que reúne Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Qatar e Kuwait.

Um alto funcionário da secretaria-geral do CCG põe as relações com o Irã no topo das prioridades da agenda da cúpula anual.

Além da desconfiança que caracteriza as relações da maioria dos países árabes do Golfo, a Arábia Saudita suspeita que o Irã esteja envolvido em uma tentativa de assassinato de seu embaixador em Washington.

O ministro iraniano de inteligência, HeydarMoslehi, viajou a Riad em 12 de dezembro para tentar convencer os dirigentes sauditas de que Teerã não está envolvido neste suposto complô.

Os Estados Unidos anunciaram, no começo de outubro, ter descoberto um plano para assasinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington, que envolvia autoridades da Guarda Revolucionária, força de elite da República Islâmica.

As transformações regionais impõem às monarquias do Golfo, que controlam um terço da produção petroleira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ir além em seus esforços de integração, avaliou Dajil.

“O CCG precisa de reformas para se adaptar à nova situação que nasceu com a Primavera Árabe, tanto no nível político quanto no nível econômico, social e, inclusive, militar”, destacou o cientista político.

É hora, afirmou, de que este grupo, criado em 1981 para ajudar na estabilidade de seus membros durante a guerra entre Irã e Iraque, acelere suas reformas de integração para poder se abrir logo a novos membros.

R7

 

 

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