COMUNICAÇÃO DE DESCOBERTA DO BLOCO BM-S-8 PELA EQUINOR PODE SER A SEMENTE DE MAIS UM ESCÂNDALO NA PETROBRÁS

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COMUNICAÇÃO DE DESCOBERTA DO BLOCO BM-S-8 PELA EQUINOR PODE SER A SEMENTE DE MAIS UM ESCÂNDALO NA PETROBRÁS

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 20 de julho de 2018

É uma bomba atrás da outra. Parece que não para.

O anúncio da descoberta pela Equinor dos indícios promissores de hidrocarbonetos no Bloco BM-S-8, o mesmo da acumulação de Carcará, pode descobrir fatos de alta gravidade na venda daquela área a preços considerados abaixo do que realmente valiam na gestão de Pedro Parente à frente da Petrobrás. Poderá ser um grande escândalo que certamente será apurado por órgãos competentes. Já na época da venda, houve várias reclamações e denúncias por parte da Associação de Engenheiros da Petrobrás – AEPET- da Federação Nacional dos Petroleiros, através da advogada Raquel Sousa, que entrou na justiça contra a venda do Campo de Carará para a então Statoil(Equinor) e, principalmente pelo geólogo Luciano Seixas. Na época Parente justificou a venda por “ ter muita pressão no campo e que a Petrobrás não poderia os investimentos para a exploração.” Com a informação da comunicação  à ANP dos indícios promissores, Luciano Chagas, que trabalhou na descoberta do Campo de Carcará, avaliando seu potencial,   traz à tona informações que merecem fortes reflexões sobre a consumação da venda deste campo. A Equinor indica que são apenas indícios, mas isso significa uma forte indicação de que há óleo no Bloco.  Num outro prospecto, Guanxuma, não significando ainda descoberta comercial, pois esta tem que ter notificação própria. Porém o geólogo acredita que  a informação já deve significar uma grande descoberta. Ele já havia previsto exatamente este quadro em entrevista aqui mesmo no Petronotícias e no site da AEPET, Associação de Engenheiros da Petrobrás. E explica suas  razões:

1- “ Nas seções sísmicas as imagens do prospecto são típicas das que indicam a presença de petróleo, e muito parecidas com as do vizinho Carcará;”

2-“ Em poços perfurados no pré-sal, por cautela, para se evitar o risco de se perder o poço durante a perfuração,  principalmente ao se atravessar as camadas de sal ou de pressões anômalas, todas as empresas minimamente cautelosas, como é o caso da Equinor, usam ferramentas LWD (Logging While Drill – Perfilagem Durante a Perfuração).  Ou seja, ferramentas que confirmam a presença ou não de petróleo, assim como a perfuração, quantificando previamente e preliminarmente o seu volume, através dos perfis aferidores de rocha (Raios Gamma), de porosidade (Densidade, Neutrão e/ou Ressonância Magnética) e do tipo de fluidos que saturam os reservatórios (Resistividade e/ou Ressonância Magnética) podendo comprovar até, se utilizado os perfis de ressonâncias, a identificação das rochas atravessadas com base na espectometria de massa. Em outras palavras a Equinor, já sabe que tem petróleo no poço, qual é o seu volume parcial ou mesmo total através da porosidade dos reservatórios, como também que os espaços porosos estão preenchidos por petróleo;”

   Raquel Sousa

3- “Adicionalmente, pelo tempo de início do poço, há mais de dois meses, a sonda já deve ter atravessado expressiva coluna de hidrocarbonetos e, assim, a Equinor já deve saber também da presença reservatório microbial cheio de petróleo, e quais são as espessuras dos reservatórios que, por sísmica, devem ser menores que as dos de Carcará (elevações sísmicas relativas menos proeminentes) e também a sua profundidade (o topo dos reservatório), que deve estar mais enterrado, cerca de 450m a 500m abaixo da de Carcará, com base do que me recordo quando interpretei a área. Isso tem dois importantes significados: ”

A- “Deve haver uma nova e relevante descoberta, o que valoriza sobremaneira o Bloco BM-S- 8; e, b- se os fluidos perfurados têm alinhamento de gradiente e continuidade hidráulica com as mesmas propriedades das dos fluídos de Carcará, então, também concluo, a coluna de óleo de Carcará, vizinho, é muito maior, em pelo menos 50 m que a lá constatada (> 450m), como já estava implícito pelas análises de gradiente dos fluidos e no de pressão de Carcará, ou seja,  os volumes em Carcará são muito superiores aos 1,3 bilhões de barris de óleo equivalentes (boe) ditos pela Equinor por ocasião da compra do ativo, como também é muito maior que os 2 bilhões de barris, dito depois, em outra publicação da Equinor, além dos volumes. Por consequência, os volumes do Bloco BM-S-8 são substancialmente maiores que os calculados até agora como confirmado pela descoberta ora anunciada, confirmando nossos vaticínios prévios.”

“Quais as consequências práticas disso, apesar de nefastas para a Petrobrás?: as áreas de Carcará e Carcará Norte encerram volumes de petróleo recuperáveis muito maiores que os 4 bilhões boe expectados (2 bilhões de cada); o Bloco BM-S-8, sozinho, encerra, pelo menos, só no reservatório principal, os microbiais, cerca de 2,6 bilhões boe, sendo 2 bilhões de Carcará e 0,6 bilhões de Guanxuma.  Isso sem contar com o petróleo encerrado nas rochas inferiores, erroneamente denominadas de exclusivamente vulcânicas, onde devem ter muito mais volumes adicionais de petróleo e de montante ainda não estimado, num outro play exploratório mais profundo, que os geólogos chamam de reservatórios da fase rifte.  Ou seja,  algo como todos os reservatórios que produzem na Bacia do Recôncavo, com as devidas ressalvas as idiossincrasias de cada bacia. Ainda não se conhece o limite vertical inferior da ocorrência de petróleo no Bloco BM-S-8, pois nele ainda não foram detectadas a presença de água.”

Com base nessas informações, o geólogo Luciano Chagas, que sempre foi um crítico ferrenho da venda do Campo de Carcará pela Petrobrás a preços considerados inferiores ao que valia,  diz que:

“ Tudo isso corrobora as nossas assertivas passadas que a venda do Bloco BM-S-8, com Carcará incluído, foi feita a preço de banana e que, também, o não exercício do direito, na área de Carcará Norte, decidida pelos senhores Pullen Parente e séquito, foi um terrível, crasso e abominável erro na gestão de ativos valiosos.

 Não faltaram alertas prévios em diversas matérias que eu e outros publicamos sobre este assunto. Tem mais: se for confirmada, em Guanxuma, as pressões anormalmente elevadas exibidas em Carcará, o mesmo gradiente do óleo e igual razão de solubilidade, esta será uma das maiores (senão a maior) províncias gaseíferas do Brasil.

Tudo isso sem contar com quaisquer fluidos porventura existentes no Bloco Uirapuru, recém adquirido pelo consórcio e de mesmo contexto, onde a Petrobrás acertadamente exerceu o seu direito aos 30%, após a sua proposta consorciadas ter sido perdedora no leilão. Tudo isso nos leva a outra certeza de que, como também alertado antecipadamente, a venda da transportadora NTS foi uma atitude igualmente irresponsável e que levará a Petrobrás a pagar caro, valores absurdos mesmo, e somente por aluguel, desmistificando assim o selo que os oportunistas tentaram nos colar de sermos apenas ideológicos, e que queríamos somente obstar as decisões de venda de ativos com viés exclusivamente político, os ativos que considerávamos como vendas deletérias.

 A História com H maiúsculo sempre repõe a verdade e, curiosamente, também nos mostra que a famosa alavancagem de 2,5, dita como saudável, poderá ser obtida até o final do ano sem a venda deletéria e açodada dos ativos ou seja, apenas com mudança internacional e conjuntural dos preços internacionais do petróleo, aliada ao aumento da cotação do dólar e ao alongamento dos prazos de dívida. Isto é uma prova contundente que estávamos absolutamente certos nas nossas assertivas, conforme as análises de cada tópico feitas separadamente, pela AEPET e todos nós que nos expomos  e fomos severamente criticados.”

Em recente visita a Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET) o Presidente da Petrobrás,  Ivan Monteiro,  e assessores reafirmou, que venda de Carcará e da NTS, como também não participação na licitação da área de Carcará Norte foram bons negócios. Fato contestado pelo geólogo:

 “ Pergunto a vocês: Foram? Apenas concordamos com a aquisição dos 30% do bloco Uirapuru, por força da lei da partilha modificam a qualquer preço. ainda temos que lembrar da vantagem relativa do petróleo das áreas acima comentadas, sem os contaminantes CO2 e H2S. De um jeito ou de outro tais contaminantes, muito poluentes, são comuns nas demais áreas do pré-sal e eles têm que serem sequestrados por ocasião da produção. Primeiro, reinjetando  nos reservatórios  para repor as suas energias perdidas.

 Acontece que nas áreas com pressões de reservatórios anormalmente elevadas como Carcará e similares, a reposição de energia só será necessária numa fase mais tardia. Não sou contra recebermos investimentos estrangeiros na atividade petróleo. O que não concordamos é a venda e compra de ativos já sem riscos e por preço subestimados como vem ocorrendo. Também o discurso de que o monopólio de fato e não de direito atrapalha é falacioso, pois quem tem competência se estabelece. Tem exemplos de sucessos em nichos nacionais que deveriam ser imitados pelas majores, verdadeiramente investindo no risco mitigado ou não, pagando preço justo.”

 

 

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