Chineses podem ampliar atuação em toda área nobre do pré-sal

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Chineses podem ampliar atuação em toda área nobre do pré-sal

Principal sócia da Petrobras na região conhecida como “picanha”, a área nobre do pré-sal, a BG pode transferir para uma estatal chinesa ações em sua subsidiária brasileira que garantirão ao comprador parte das reservas de campos cobiçados como Lula (ex-Tupi), Iara, Guará e Carioca. Como majoritária nas áreas, a Petrobras possui direito de preferência em caso de venda de participações isoladas nos blocos, transação conhecida como “farm out”. Mas se a operação ocorrer por meio de venda de ações, como tudo indica, a Petrobras não terá o mesmo direito, segundo afirmou o próprio presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, respondendo a questionamento da Reuters. “Nessas circunstâncias não temos direito de preferência”, disse o presidente da estatal brasileira, por meio de sua assessoria de imprensa.

Gabrielli lembra que Galp e Repsol venderam recentemente parte de seus ativos no pré-sal em formato que não deu à Petrobras direito de preferência. Ao contrário, destaca ele, as companhias venderam ações de suas subsidiárias no Brasil para a estatal chinesa Sinopec, sem “farm out”. O presidente da estatal dá a entender que a Petrobras não está negociando com a BG, dizendo que não sabe “o que a BG está fazendo”.

O valor do negócio também dificulta que a Petrobras participe, disse a fonte que falou à Reuters sobre as negociações, pedindo anonimato. “Estão pedindo caro por esta presença no pré-sal e a Petrobras já está com seu caixa comprometido com seu plano de negócios para fazer frente a uma compra como esta”, afirmou. Várias empresas teriam procurado a BG, mas a candidata mais forte, segundo essa fonte, é a chinesa Sinopec, que já levou, por meio de compra de ações da Repsol e da Galp, participações indiretas em quase todos as áreas licitadas do pré-sal.

Oito bilhões de barris

A BG estima possuir reservas da ordem de 8 bilhões de barris em seus blocos no pré-sal e, dependendo do tamanho da parcela que vender, sem perder a maioria da participação, poderá angariar até 27 bilhões de dólares. A conta considera a venda de 49% das ações da empresa e o preço do barril negociado a US$ 7, um valor que a fonte considera possível. Se o negócio for fechado a um preço mais baixo, de US$ 5 cada barril conforme aposta analista de banco de investimento consultado pela Reuters, a venda da mesma participação acionária chegaria a US$ 20 bilhões – ainda assim a maior cifra já alcançada neste tipo de operação no setor do petróleo.

Se seguir os números da venda de ativos da Galp na mesma região, que vendeu 30% da sua participação nos ativos brasileiros, entre áreas nobres do pré-sal, a negociação chegaria a cerca da metade deste valor, uns US$ 11 bilhões.

Só faltava Parati

Se o negócio se concretizar, será mais um passo da China para garantir suprimento de energia num momento em que estão paralisados os leilões de novas áreas de exploração no país. Com o negócio, a chinesa garante presença em todos os blocos da região nobre do pré-sal com descobertas relevantes da bacia de Santos e já licitados – onde algumas estimativas apontam para a existência de reservas da ordem de 50 bilhões de barris de petróleo.

Ao comprar 30% de participação nos ativos da Galp no Brasil, no mês passado, os chineses já tinham garantido presença nos campos de Lula, Cernambi, Iara, Bem-te-vi, Caramba e Júpiter. Em 2010, com a sociedade junto à Repsol, adquiriram participação indireta em Guará e Carioca. Só faltava o campo de Parati, onde a BG possui participação de 25%. A britânica possui fatias bem maiores que os demais sócios da Sinopec no pré-sal, de modo que sua oferta de ações deverá superar todas as outras já ocorridas. A Petrobras é majoritária em todos os blocos já licitados no pré-sal, além da aquisição de outras áreas por meio da cessão onerosa, pela qual pagou à União US$ 8,51 em cada um dos 5 bilhões de barris adquiridos.

Procurada, a Sinopec não comentou a informação de que negocia a compra dos ativos da BG. A companhia britânica também não comenta o assunto. A venda de parte dos ativos vai capitalizar a BG para fazer frente aos pesados investimentos no pré-sal junto com a Petrobras, num momento em que as vias de crédito na Europa ficam cada vez mais escassas, segundo a fonte.

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