Cerca de 200 navios recriam a primeira expedição australiana à Antártida

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Cerca de 200 navios recriam a primeira expedição australiana à Antártida

A frota zarpou do rio Derwent diante de milhares de pessoas, com o navio Aurora Australia à frente e 12 barcos de colecionadores, entre eles o “Cartela” que completa 100 anos no ano que vem, além de dezenas de veleiros particulares. A bordo do “Cartela” estavam centenas de descendentes das pessoas que participaram da expedição de 1911, como Owen Gale, que usou um paletó que pertenceu a seu avô Stan Taylor, um dos marinheiros no navio comandado por Mawson em 1912. O Aurora Australia levará dez dias para chegar ao continente gelado, enquanto Mawson (1882-1925) demorou mais de um mês. As explorações do geólogo australiano, que protagonizou sozinho uma das façanhas de sobrevivência mais heróicas da história das expedições polares, permitiram à Austrália reivindicar 42% da Antártida como seu território. Um século depois da viagem, realizada entre 1911 e 1914, a escritora australiana Emma McEwin, neta do explorador, fez uma homenagem na Sociedade Real da Tasmânia, onde seu avô também pronunciou um discurso. A escritora relatou detalhes das histórias que ouvia quando pequena, de como o avô comeu cachorros e perdeu a pele da sola dos pés, assim como outros “detalhes sangrentos que as crianças adoram”. A primeira visita do explorador ao continente antártico foi aos 26 anos na expedição do britânico Ernest Shackleton (1907-1909), o primeiro a chegar ao topo do vulcão Erebus e a localizar o polo sul magnético. Com sua primeira expedição, Mawson partiu de Hobart em 2 de dezembro de 1911. A embarcação, com 31 pessoas a bordo, navegou por 1,5 mil quilômetros até a costa da Antártida. A equipe, integrada também pelo geólogo suíço Xavier Mertz e o tenente britânico Belgrave Ninnis, percorreu centenas de quilômetros para desenhar um mapa do litoral antártico, colher amostras e descobrir enormes geleiras, mas a aventura teve um desfecho trágico. Várias semanas após o início da viagem, em meio ao mau tempo antártico e à falta de visibilidade, Ninnis desapareceu em uma rachadura com o trenó, os cachorros e a maior parte dos alimentos. O retorno de Mawson e Mertz foi uma odisseia: os cachorros que sobraram foram abatidos para servir de alimento e o suíço morreu no trajeto. O australiano teve que percorrer sozinho 160 quilômetros. Sua façanha foi considerada uma das mais heróicas na história das explorações polares. Quando Mawson voltou à cidade de Adelaide foi condecorado cavalheiro por sua contribuição à pesquisa científica na Antártida, para onde viajou mais duas vezes.

 

EFE

 

 

 

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