Até a Tramontina pode parar no pré-sal – Sem fornecedores nacionais com capacidade para atender à demanda por equipamentos, Petrobrás tenta atrair empresas de outras áreas – 27 de novembro de 2011 | 3h 08

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Vale até empresas que atuam em outros ramos de atividade e nunca produziram uma única peça para o segmento. A Petrobrás já teve contato, por exemplo, com a Tramontina, fabricante de produtos como talheres e ferramentas elétricas, e a Randon, que produz equipamentos para o setor de transporte, como reboques e autopeças. Procuradas, as duas empresas disseram que não iriam comentar o assunto neste momento.

O modelo de produção está em aberto: a companhia pode ampliar seu parque industrial sozinha ou em parceria com algum grupo internacional, que tenha know how na fabricação dos equipamentos.

A contrapartida para quem aceitar essa empreitada é o financiamento ou participação do BNDES no projeto – medida que pode dar mais competitividade ao produto nacional para concorrer com estrangeiros altamente especializados na área, como noruegueses e americanos. Além disso, as empresas poderão ter apoio técnico da Petrobrás no desenvolvimento dos novos produtos.

O foco principal da peregrinação da estatal e do BNDES é encontrar interessados em produzir equipamentos submarinos, que exigem elevada capacidade tecnológica e contam com poucos fornecedores no mercado interno. Segundo o chefe do Departamento da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás do BNDES, Ricardo Cunha da Costa, já há 15 empresas interessadas em se tornar fornecedoras da Petrobrás.

Dessas, oito já apresentaram carta-consulta e sete estão preparando proposta. No total, os projetos representam investimentos de R$ 3 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão financiados pelo BNDES. Das oito empresas, três preferem o modelo de participação do banco no projeto, diz Costa. Segundo fontes, a Petrobrás já identificou 64 empresas que podem ser estratégicas para ela.

“A oferta de equipamentos para o pré-sal está muito abaixo da demanda projetada para os próximos anos. Se a cadeia nacional de fornecedores não for desenvolvida, o País terá de resolver o problema com a importação”, diz Costa, destacando que a ideia de desenvolver a cadeia local foi inspirada em outros grandes produtores de petróleo, como a Noruega.

Garimpo. Internamente, executivos da Petrobrás acreditam que mesmo a indústria mundial pode não estar preparada para atender ao grande número de encomendas para tirar o pré-sal do papel. Por esse motivo, a garimpagem Brasil afora continuará. Inicialmente, as reuniões ocorrem em grupo nas federações de indústrias e, mais tarde, individualmente com as empresas.

Marcus Coester, diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), já participou de uma dessas rodadas de negociação e ficou entusiasmado com as perspectivas. “Temos um novo ciclo econômico se desenvolvendo rapidamente. Será um grande desafio promover essa cadeia de fornecedores.”

Ele comenta que há uma série de empresas se movimentando para aproveitar a oportunidade. Uma delas é a Máquinas Condor, que fabrica carregadores de navios, guindastes e elevadores de caçambas, além de outros equipamentos. Criada em 1959, no Paraná, a empresa começou suas atividades produzindo equipamentos para moinhos. Agora, quer ir mais longe e se tornar fornecedora da Petrobrás em águas profundas.

A companhia tem contrato com a estatal para desenvolver guindastes para plataformas. Mas também estuda a possibilidade de produzir outros equipamentos, afirma o diretor da empresa, André Meyer da Silva.

Por questões estratégicas, ele não quis contar que tipo de produto poderia ser, mas deu algumas pistas: “Temos participado de uma série de feiras e eventos no exterior. Também visitamos fabricantes de válvulas e caldeiras.” Silva diz também que a empresa está aberta a parcerias, nacionais e estrangeiras.

A mesma estratégia está sendo adotada pela Saur Equipamentos, que produz equipamentos para empilhadeiras, sistemas de descarga para granéis e para áreas automotiva, construção civil e florestal. No setor de petróleo e gás, o caminho escolhido é fazer parcerias com estrangeiros para produzir gruas off shore. Se der certo, será o segundo negócio com estrangeiros. Em 2000, ela se juntou com uma empresa australiana para fabricar gruas florestais.

Segundo o gestor de negócios da companhia, Rafael Kessler, há conversas hoje com quatro grupos estrangeiros. A expectativa é que até o início de 2012 já haja algum acordo fechado. “Fabricamos gruas para empreendimentos em terra firme. Temos 14 patentes. Poderíamos desenvolver outra coisa com ajuda de alguma universidade, mas demoraríamos uns quatro anos. Não temos tempo pra isso. Por isso, optamos pela parceria.”

 

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