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A união das duas necessidades

Essa matriz conduziu muitos gestores na direção de soluções esotéricas para seus negócios, criando sistemas e processos que podem eventualmente ser abatidos por um golpe da realidade objetiva.

O desvio da trilha do pragmatismo para o caminho das subjetividades geralmente nasce de um aprendizado ligeiro e fragmentado sobre questões complexas.

Tornou-se comum a aplicação, no ambiente de negócios, de expressões como “salto quântico”, “gestão fractal de processos” e invenções nascidas, por exemplo, da confusão entre relativismo e relatividade.

Esse campo muito particular do pensamento moderno andou expondo seu brilhareco em alguns foros de excelente reputação entre empresários e gestores, e esteve presente até recentemente no início do movimento pela sustentabilidade.

O processo de consolidação das estratégias de sustentabilidade, ou, como se diz comumente, da gestão para a sustentabilidade, tende a atrair essa categoria de pensamento, pela natureza de ruptura que representa em relação aos antigos paradigmas da administração de negócios.

Houve um período em que aspectos da nova visão de mundo que trata da preservação do patrimônio ambiental e da responsabilidade social das empresas se enquadravam mais facilmente no campo dos desejos do que naquele das ações tangíveis e mensuráveis.

Essa é provavelmente a origem da contaminação do campo da gestão pela perfumaria do esoterismo.

Cursos técnicos e superiores de gestão ambiental se alinham entre os recursos que ajudam a orientar a questão da sustentabilidade para os padrões mensuráveis mais apropriados à condução dos negócios e à orientação de investimentos.

Tais propostas conseguem unir as necessidades de negócios aos objetivos nobres e eventualmente utópicos da sustentabilidade, no sentido da busca de metas ambiciosas, não da perseguição ilusória do impossível.

O aval de instituições de ensino que alcançaram boa reputação nos paradigmas anteriores de gestão ajuda a consolidar a credibilidade dos novos modelos de negócio.

Mas resta ainda o desafio da inovação constante. Se a inovação nos negócios vem do conhecimento científico, os cursos de gestão ambiental resolvem uma parte do dilema.

Uma parte dessa questão, que se refere ao domínio tecnológico, ainda carece de sistemas capazes de traduzir e aplicar os avanços do conhecimento científico na criação de novos produtos e processos.

No Brasil, essa conexão entre a ciência e os negócios ainda é muito rarefeita. Um grande número de descobertas se perde no próprio mundo acadêmico e não chega aos negócios.

Mais complicada ainda é a busca da inovação baseada no conhecimento sobre o próprio ser humano. Mesmo em ambientes onde a meta da sustentabilidade faz parte das rotinas e dos objetivos explícitos do negócio, a realidade é comumente a da mistificação.

 

Luciano Martins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade

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