‘A Europa vai ter que pagar a conta que pagamos’, diz Eike Batista

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‘A Europa vai ter que pagar a conta que pagamos’, diz Eike Batista

Eike Batista e o jornalista Roberto D’Ávila no lançamento do livro do empresário brasileiro

Foto: Flávia Salme/iG

 

Perguntado sobre o tempo que levará para integrar a lista dos cinco homens mais ricos do mundo, Eike Batista responde com bom humor. “Pelo que já foi criado, vai acontecer. Tenham um pouco de paciência”, disse, entre risos, aos jornalistas que acompanharam nesta segunda-feira (5) o lançamento do livro “O X da questão”, sobre sua trajetória profissional. Após 30 anos de trabalho, e de ser apontado pela ‘Revista Forbes’ como o oitavo homem mais rico do mundo, Eike ri à toa. Entusiasta da economia brasileira, ele afirma que o país “está deslanchado” e que a “Europa vai ter que pagar a conta que nós pagamos nas décadas de 1980 e 1990”.

Sobre o desenvolvimento do Brasil, o empresário afirma que carência de infraestrutura “é um belo problema para se ter”. E, diante da crise econômica na Europa, ele ainda desdenha: “Coitados dos europeus, não têm essa perspectiva mais. A gente ainda tem o que construir, o que emprega gente, gera renda. O Brasil vive uma fase ímpar”, comemora. Em relação à crise europeia, ele reforça a crença de que ela não afetará a economia brasileira. “O que o Brasil exporta, o mundo continua a precisar. E a gente só exporta 10% do PIB. Isso é para vocês entenderem como é bom ter caviar”.

Para aqueles que apostam que suas empresas estão apenas no papel, ele rebate. “As pessoas nunca tiveram a paciência de ver os projetos que a gente faz amadurecer. Todo mundo sempre falava que a gente tinha uma empresa de papel. Um belo papel…”, diz, entre risos, ao comentar sobre as ações no Porto do Açu.

O jeito com que Eike encara os problemas e impulsiona seus negócios estão relatados no livro escrito pelo jornalista Roberto D’Ávila, para quem Eike lembra Leonel Brizola. “Claro que são pessoas diferentes. Mas trabalhei muito tempo com o Brizola e eles têm uma energia, uma disposição de trabalhar várias horas por dia, muito parecidas”, avaliou.

A seguir, veja as repostas que Eike Batista apresentou, com bom humor, às perguntas dos jornalistas, ao fim da noite de autógrafos (que durou cerca de quatro horas) em uma livraria do Leblon, na zona sul do Rio.

Livro
É sempre bom você criar uma história e depois contá-la. Depois de 30 anos, sempre tem algo para contar. E com o objetivo de ajudar jovens empreendedores brasileiros a buscar algumas ideias, alguns conceitos, pelo menos. Na verdade, tem alguns conceitos ali que não servem só para os jovens brasileiros, atendem a jovens para o mundo inteiro. Ética, transparência e mega respeito pelo social e ambiental são quatro pilares fundamentais.

Tiro pelas costas
Em 1980 ou 81 eu tive esse susto (quanto foi cobrar, irritado, uma dívida de um homem que o devia na Amazônia). No fundo você tem que ter paciência e nunca xingar as pessoas. Palavras, na nossa comunidade latina, ofendem as pessoas de uma maneira diferenciada. Então, cuidado. Nunca ofenda uma pessoa, pense antes de ofender, porque as consequências…

Futuro
Vou continuar montando minhas empresas, gerar riquezas e mais nichos. Fizemos uma parceria enorme com a IBM. Eles enxergaram no grupo uma plataforma nesse setor de logística, mineração, óleo e gás, que são setores muito grandes. Uma maneira de criar softwares para informatizar essas áreas, porque, no Brasil, ainda tem muito para se ganhar em termo de eficiência automatizando operações. Nossa parceria na verdade é mundial. Vamos criar softwares aqui para usar no grupo e vender para fora.

Parceria com Foxconn (empresa taiwanesaque fabricará o iPad no Brasil)
A gente continua estudando o business plan (plano de negócios). Vamos lembrar que na hora que o Brasil criar uma legislação para esse setor específico isso vai valer para todo mundo. Então, tem ainda outros grandes players, Samsung, por exemplo. Nós gostamos de fazer sempre com os ‘números 1’ do mundo. Vamos ver quem tem a melhor proposta para o Brasil. É preciso ter as mudanças na legislação para fazer essas coisas viáveis. Hoje o que está aí dá para você montar (computadores), mas não baixar dramaticamente o preço, e o objetivo, na verdade, para dar um salto de produtividade no Brasil inteiro, é levar a zero os impostos, o que provavelmente machucaria a indústria nacional, quem faz aqui hoje.

Desenvolvimento do Brasil
Nós estamos deslanchados. Problemas de infraestrutura é um belo problema para se ter. Coitados dos europeus que não tem essa perspectiva mais (risos). A gente ainda tem que construir, o que emprega gente, distribui renda. É um processo. O Brasil vive uma fase ímpar. O defeito é… Volto à transparência: se houver transparência em todos os órgãos, inclusive os que te fiscalizam, seria melhor. Sempre falo isso: me auditem. Mas existe muita burocracia na máquina. A gente convive com ela porque os projetos pagam, mas, às vezes, os projetos são atrasados em anos. Na verdade em muitos setores você não tem as pessoas qualificadas. Na área de meio ambiente, por exemplo, falta gente, porque você tem que ter pessoas qualificadas para liberar (as licenças) para não acontecer acidentes como o da Chevron.

Produção de petróleo do grupo OGX
Usamos os procedimentos corretos. Temos cinco navios de standby constantemente, faz parte dos procedimentos. A OGX opera nos padrões mais altos do mundo, tanto que, no ano passado, o consórcio de seguro baixou nosso seguro pelos padrões de segurança que a companhia tem. Padrões ambiental e de segurança em si. Isso é um marco.

Contrato com Porto do Açu (para o transporte de 500 mil barris de petroleo por dia)
Quer saber se vou assinar o papel? Tem mais de um projeto, mas sobre isso não posso falar, só em off (risos). As pessoas nunca tiveram a paciência de ver os projetos que a gente faz amadurecer. Hoje vocês estão vendo os contratos que estão sendo assinados no Açu: Technip, NKTF, GE. Começou. Mas demora três ou quatro anos para ter a licença. Demorou, mas aconteceu. Agora vem o papel. Todo mundo sempre falava que a gente tinha uma empresa de papel. Um belo papel… Se os analistas fossem lá realmente ver o que está acontecendo deveriam se envergonhar do que escreveram lá atrás.

Belo Monte
Eu tenho que estudar para dar uma opinião mais embasada. É sempre essa discussão: o Brasil precisa de energia e (a hidrelétrica) é uma energia renovável. Mas do outro lado você está destruindo ecossistemas que não vão voltar. Como ainda não estudei esse assunto, não sei o que dizer. Mas é um conflito. E o país muitas vezes tem que dizer ‘tem que ir por aí’, porque é mais barato, mais duradouro, mais perene, a água vai gerar a energia limpa. Agora, o preço da fauna e flora que eventualmente vão sumir, como se quantifica isso? Se assistir o filme ‘Avatar’, você nunca mais vai querer construir uma represa (risos).

Crise na Europa
Não vai atingir o Brasil. O que o Brasil exporta, o mundo continua precisando comprar. E a gente só exporta 10% do PIB. A história brasileira é muito mais uma história da demanda reprimida interna do país do que o que vamos exportar. E o que a gente exporta, o mundo precisa. Nosso minério é o melhor do mundo, os australianos não têm a qualidade do minério que o Brasil tem. Isso é para vocês entenderem como é bom ter caviar. As pessoas não entendem muito isso.

A gente ficou tão isolado nos últimos 20, 30 anos, que hoje isso tem uma vantagem. A nossa dependência de fora é pequena. Hoje somos 200 milhões de consumidores não endividados, os bancos estão todos sadios. É uma máquina inacreditável.

Vivemos uma situação ímpar no mundo. Se você pegar o hemisfério Sul, o Brasil e todos os países da América do Sul, além da África, Índia, China e os países em volta da África, como a Indonésia, que também é um gigante, dá para ver que é possível esquecer a Europa. A Europa vai ter que estagnar mesmo, porque vai ter que pagar a mesma conta que nós brasileiros pagamos na década de 1980 e 1990.

Crescimento brasileiro
Podemos crescer mais de 3,5% no ano que vem. Tem que calibrar isso, acho que o Brasil pode crescer a 5%, mas é bom ‘desengargalar’, porque senão você volta a criar inflação. Esse equilíbrio eles (o governo) que têm os sensores nas mãos, podem medir melhor. O fato é: ‘desengargalou’ algumas áreas, o Brasil pode crescer 5% mole. Mas não tem nada de errado em segurar o crescimento entorno de 3,5% ou 4% por um pouco mais de tempo, porque aí você ‘desengargala’ o Brasil. A gente nem começou a prolongar a dívida federal, a dívida do Brasil é arrolada em três anos. Nosso país é maluco. Maluco de rico (risos).

Entre os cinco mais ricos do mundo

Quando chego entre os cinco mais ricos? Pelo que já foi criado, vai acontecer. Tenham um pouco de paciência (risos). Tenho muitos investimentos a fazer. Montadora de veículos? Todas as grandes montadoras estão no Brasil. A única pena que eu tenho é que não tem uma empresa brasileira de automóveis. Temos um mercado gigantesco e não se criou uma empresa nacional. O problema é o seguinte, não dá para fazer tudo, né moçada? Dá para fazer muito e até quero fazer… Não provoca não (risos)!

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