Em entrevista depois da posse, Castello Branco defende a livre concorrência e diz que foco será na exploração

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Em entrevista depois da posse, Castello Branco defende a livre concorrência e diz que foco será na exploração

FONTE PETRONOTÍCIAS – Matéria publicada em 03 de janeiro de 2019

Logo depois da cerimônia de posse, o novo presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, deu uma entrevista para os jornalistas que estiveram presentes.

Ele falou sobre as prioridades de sua administração, do rigor no controle de custos, na volatilidade do mercado, estabeleceu as suas prioridades e defendeu a liberdade do mercado e a competição como um fator preponderante para as indústrias e os consumidores brasileiros. Veja a entrevista na íntegra:

– O senhor vai rever o plano de negócios da Petrobrás que foi divulgado há pouco tempo?

– Olha, eu tive uma visão superficial, eu diria, porque não tive tempo para me debruçar no plano de negócios, mas em princípio ele é muito bom. Depois, na sequência, vamos analisá-lo com mais profundidade.

– E em relação a privatização de alguns setores, haverá fatiamento dos setores?

–Não existe tal coisa como fatiamento. A Petrobrás, assim como qualquer empresa, ela tem que investir e operar os ativos onde é dona natural. Onde ela pode extrair o maior retorno possível. Certas vezes, as empresas se diversificam, se agigantam. Mas, como falei, gigantes às vezes tem pernas de barro. Então, o nosso objetivo é fortalecer a Petrobrás, gerar valor ao acionista e para o Brasil.

– Exploração e produção são prioridades?

– A área prioritária da Petrobrás. Ela é uma empresa de petróleo e gás, onde tem competência, onde é líder global em exploração de óleo e gás em águasultraprofundas e também em águas profundas. As demais atividades nós vamos analisar. A prioridade é fazer crescer a produção de petróleo. O Brasil é um país muito rico em recursos naturais e tem um potencial imenso para explorar, especialmente na exploração da mineração e no petróleo. Infelizmente, nós parecemos um pouco envergonhados por sermos produtores de comodities. A Austrália, que tem cinco vezes o PIB percapta do que o Brasil, é muito orgulhosa da exploração de recursos naturais. A Austrália, assim como o Brasil, é uma fortaleza global de riqueza natural. Então, vamos explorar as nossas riquezas naturais, com eficiência, respeitando ao meio ambiente, respeitando os direitos das pessoas e a lei e vamos fazer valer e construir muito valor para o Brasil.

– O senhor falou em preço justo e competitivo para o consumidor. Como é isso?

– O meu discurso foi em sintonia tanto quanto o ministro, como com o diretor geral da ANP, Décio Oddone. A Petrobrás seguirá o preço com paridade internacional, sem subsídios e sem exploração do poder de monopólio. Nós somos amantes da competição e detestamos a solidão dos mercados. Temos companhias. Queremos competir.

– Quais os desafios da Petrobrás na sua gestão?

–Existem muitos desafios. A Petrobrás, como falei no discurso, escapou do “rebaixamento”. Voltou a estar numa posição mais tranquila, mas há muito a fazer, em muitas frentes, porque o meu desejo e o desejo do governo Jair Bolsonaro é fazer da Petrobrás uma campeã. Então, temos muito trabalho a fazer em muitas frentes. Não há o desafio, mas muitos.

– O senhor vai mudar os diretores?

– A escolha dos diretores vai ser feita e oportunamente anunciada.

– Mas haverá mudanças?

– Não posso adiantar nada.

– Que perfil o senhor gostaria?

– Eles devem ser comprometidos com a geração de valor.

– Quais seriam as áreas a ser privatizadas?

– Nós vamos analisar. Eu não posso adiantar nada, até porque a Petrobrás é uma companhia de capital aberto. Seria um pouco leviano da minha parte se eu anunciasse algo sem fazer uma profunda análise daquilo que estou falando. Lógico que só vou falar respaldado por evidências. E não gosto do “acho que…”. Disso, eu estou fora.

– As refinarias podem ser?

–Vamos analisar. Vamos analisar os ativos, fazer uma profunda análise desses ativos para, com base no resultado desse exame, fazer com o que está consistente com a estratégia da companhia.

– Como está vendo os preços do petróleo?

–Eu acho que os preços de mercado exercem um papel muito importante na economia. Qualquer que ele seja. Eles atuam como um farol. Sinalizando o que você pode consumir mais, consumir menos, o que é atrativo produzir mais, o que é atrativo produzir menos. A colocação do imposto apaga esse farol. Numa economia moderna, competitiva, tem que ter preço com menos impostos e preços mais justos, sem a participação do Estado.

– Tem espaço para diminuição da participação do governo na companhia?

– Isso não foi discutido. Isso não está em estudo.

– A Petrobrás tem tido muita dificuldade em vender seus ativos, por diversos motivos. Como o senhor pretende acelerar este processo?

– Vamos estabelecer um diálogo aberto, transparente, com os três poderes, com os órgãos de controle, para facilitar todo o processo da Petrobrás.

– O senhor acha que deve aumentar a participação da Petrobrás no mercado de gás natural?

–Eu estou muito otimista em relação ao gás natural. A produção de gás natural no Brasil tende a aumentar, aumentar muito, e novas utilizações para o gás natural. Por exemplo, a China já usa gás natural para abastecer a sua frota de caminhões. Existem mais de 200 mil caminhões abastecidos com o gás natural. Isso é mais barato, uma energia mais limpa, que no caso específico do Brasil atenderá os caminhoneiros de transporte de carga.

– O Chanceler disse no discurso de posse que o Brasil precisa fugir da Globalização, mas o ministro da economia acha que tem que abrir. Como fica a Petrobrás diante dessa diferença?

–Olha, eu não vi o que ministro das relações exteriores falou e nem me cabe comentar as suas declarações. Nós somos economistas pró mercado. A favor da competição. Então, o fechamento da economia brasileira e o excesso de proteção não trouxeram resultados bons. Então, eu concordo com o Ministro Paulo Guedes. A tendência é fazer uma abertura gradual, fazer reforma tributária de modo que dê condições aos produtores locais para competirem e triunfarem num mercado global.

– E a sua opinião sobre a cessão onerosa?

–A cessão onerosa vai ser tratada pelo novo governo. Nós somos uma parte do acordo da cessão onerosa. Vamos aguardar o novo governo se estabelecer. O Ministro assumiu o cargo ontem (2) e vamos ter oportunidade de discutir isso.

– Como o consumidor vai se sentir beneficiado com a competição?

–Abrindo a economia. Com mais competidores. Quanto mais competição, há benefícios para consumidor. Se houver apenas um produtor, não será bom.

– O senhor é presidente da empresa no momento em que o petróleo está em queda. O que isso significará na sua administração?

– Vamos perseguir redução de dívidas e custos baixos. Nós somos produtores de comodities, que tem preços muito voláteis. Então, nós temos que estar preparados para ganhar com a volatilidade alta e para sobreviver bem e continuar a ganhar na volatilidade baixa. Para isso é fundamental, tanto na indústria do petróleo, quanto da mineração, em que trabalhei, precisamos custos operacionais muito baixos. Ativos de classe mundial, nós temos, e custos baixos.

– Quais as prioridades da Petrobrás?

–Enumerei no meu discurso. É basicamente muito simples. É gestão de portfólio, limitação do custo do capital, a meritocracia, segurança no trabalho e respeito ao meio ambiente.

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